Primeiro-ministro pede desculpas, depois de desafiado pelo PSD


 

Lusa/AO online   Nacional   18 de Out de 2017, 16:18

O primeiro-ministro, António Costa, pediu hoje desculpas pelas consequências dos incêndios, depois de desafiado pelo PSD, mas disse que utiliza a palavra "desculpas" na qualidade de cidadão, já que como chefe do Governo prefere assumir responsabilidades.


No debate quinzenal com o primeiro-ministro, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, disse hoje que, como eleito e em nome da sua bancada, assumia a "responsabilidade política" e pedia desculpas aos portugueses, desafiando Costa a fazer o mesmo: "Senhor primeiro-ministro, já está em condições de pedir desculpa a todos o país?".

"Não vou fazer jogos de palavras, se quer ouvir-me pedir desculpas, eu peço desculpas", respondeu António Costa.

O primeiro-ministro salientou que, se não o fez antes, "não é por sentir menor peso" na sua consciência.

"No meu vocabulário reservo a palavra desculpa para a minha vida privada, enquanto primeiro-ministro uso a palavra responsabilidade e sempre disse que assumiria todas as que viessem a ser demonstradas", disse.

António Costa disse ter a certeza que viverá com "o peso na consciência" pelos mais de 100 mortos nos incêndios deste verão, tal como ainda sente pelo inspetor da Polícia Judiciária que morreu quando era ministro da Justiça ou por agentes da PSP e bombeiros falecidos quando era ministro da Administração Interna.

"Eu não me escudo nos outros, assumo as minhas responsabilidades como primeiro-ministro e peço sempre desculpa como cidadão", afirmou.

Na resposta, Hugo Soares saudou o pedido de desculpas, mas lamentou que só o tenha feito hoje.

"Deve e devia um pedido de desculpas ao país e já devia ter assumido a sua responsabilidade", considerou.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e cerca de 70 feridos (mais de uma dezena dos quais graves), além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça-feira e quinta-feira.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.




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