Prejuízo do BES Investimento desce 13% para 3,5 ME no semestre


 

Lusa/AO Online   Economia   28 de Jul de 2014, 06:33

O Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) registou um resultado líquido negativo de 3,5 milhões de euros entre janeiro e junho, valor que compara com o prejuízo de 4,1 milhões de euros apurado em igual período de 2013.

A informação consta nas contas individuais da entidade liderada por José Maria Ricciardi, que é detida a 100% pelo BES, disponíveis no portal do Banco de Portugal.

"O documento disponível no Banco de Portugal corresponde apenas ao balanço individual, não tendo em conta as respetivas filiais do BESI", realçou à agência Lusa fonte oficial da instituição, acrescentando que "o balanço que reflete a realidade do BESI não é o balanço individual, mas sim o balanço consolidado, e esse ainda não está fechado".

A mesma fonte adiantou que, em termos consolidados, o BESI vai ter um resultado "que se espera muito positivo".

Além de Lisboa, o banco de investimento tem uma forte presença internacional, operando em Madrid, Colónia, Dublin, Londres, Varsóvia, Luanda, Mumbai, Hong Kong, Nova Iorque, Cidade do México e São Paulo.

Em termos das contas individuais, que são as únicas de momento disponíveis, nota para o forte aumento das provisões durante os primeiros seis meses do ano, que cresceram 74% em termos homólogos para 56,7 milhões de euros.

O crédito a clientes fixou-se em 761,8 milhões de euros, mais 10% do que no primeiro semestre do ano passado.

Já o ativo total baixou 8% para 3,1 mil milhões de euros, ao passo que o passivo total recuou 10% para 2,6 mil milhões de euros.

No que toca ao capital, houve um reforço de 4,6% para 453,1 milhões de euros.

O BES vai apresentar os seus resultados do primeiro semestre na próxima quarta-feira, dia 30 de julho, após o fecho do mercado. Nessa ocasião, serão também revelados os resultados consolidados do BESI, como normalmente acontece.

A divulgação das contas do banco agora liderado por Vítor Bento estava inicialmente agendada para a última sexta-feira (25 de julho), mas foi adiada.

A apresentação dos resultados surge num momento conturbado para o BES, depois de nos últimos tempos terem sido tornados públicos vários problemas em empresas da área não financeira do Grupo Espírito Santo (GES), que têm levantado receios de contágio ao banco, cuja gestão acabou de mudar de mãos.

O BES divulgou em maio que uma auditoria pedida pelo Banco de Portugal às contas da Espírito Santo International (ESI) tinha detetado “irregularidades”.

Segundo o documento, esta auditoria externa levada a cabo na ESI "apurou irregularidades nas suas contas e concluiu que a sociedade apresenta uma situação financeira grave".

No mesmo sentido, a comissão de auditoria do Espírito Santo Financial Group (ESFG), que é o maior acionista do BES, com 20,1%, "identificou igualmente irregularidades materialmente relevantes nas contas" da 'holding'.

O BES acrescentava que esta situação podia afetar a sua reputação, apesar de o banco não ser responsável pela ESI e de a ESFG ter tomado medidas para acautelar problemas.

Desde então, três 'holdings' de topo do GES (ESI, Rio Forte e ESFG) avançaram com pedidos de gestão controlada no Luxemburgo, país onde têm as suas sedes, dada a impossibilidade de cumprirem os compromissos financeiros assumidos, nomeadamente, no que toca a dívida emitida e cujas maturidades já foram atingidas sem os devidos reembolsos aos investidores.

 

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