Preços mais competitivos fazem portugueses optar por sul de Espanha e ignorar apelo do PR

Preços mais competitivos fazem portugueses optar por sul de Espanha e ignorar apelo do PR

 

Lusa   Economia   27 de Jun de 2010, 12:50

Uma oferta hoteleira mais completa, a preços mais competitivos, é a principal razão que leva muitos portugueses a passarem férias no sul de Espanha, apesar do apelo do Presidente da República para escolherem Portugal como destino.

A agência Lusa esteve na Isla Canela, localidade balnear situada a cerca de seis quilómetros de Ayamonte, junto ao rio Guadiana e à fronteira com Portugal, onde muitos veraneantes lusos do Norte do país passam férias nos hotéis locais, contrariando o pedido de Aníbal Cavaco Silva.

Joaquim Machado, responsável comercial, residente no Porto, explicou que, “em termos de oferta, Espanha está mais à frente, porque conjugando os fatores do alojamento e refeições, em Portugal é sempre mais caro”.

“E hoje em dia, com a crise, temos que tomar opções. Estamos a falar de pequeno almoço e jantar, um jantar de buffet livre, mas num hotel de quatro estrelas com muito nível e que já ganhou vários prémios de gastronomia, a um preço muito acessível. E no Algarve isso é difícil”, afirmou.

Joaquim Machado frisou que “no Algarve pode-se ter um alojamento equiparado em termos de preço”, mas se “se forem incluídas as refeições já é muito mais dispendioso”.

“Só por isso é que não sigo o apelo do [Presidente da República] professor Cavaco [Silva], porque teria todo o gosto em passar férias em Portugal. Gosto imenso do Algarve, mas esses dois fatores obrigam-me optar por Espanha”, acrescentou.

A mulher de Joaquim Machado disse, por seu turno, ter falado com outros portugueses de férias na Isla Canela que destacaram a oferta dos hotéis para as crianças, que permite aos pais deixarem os filhos enquanto usufruem do descanso, situação que “em Portugal sairia muito cara”.

“Optei por vir para Isla Canela porque os preços são mais competitivos e, fora do ambiente do hotel, continuam a sê-lo e não são diferentes como os que se praticam no Algarve”, afirmou Amadeu Campos, bancário, de Gaia, para justificar a sua opção por Espanha.

Amadeu Campos precisou que no Algarve os preços são “totalmente diferentes” daqueles que se praticam na região onde vive, enquanto em Espanha tem qualidade de serviço e preços mais equilibrados.

Este bancário disse entender o apelo do Presidente da República para que os portugueses passem férias em Portugal, mas defendeu “o direito de escolha” mesmo em tempo de crise económica, cuja solução passa por “todos trabalharem e pagarem os seus impostos”.

“Já venho para aqui há 10 anos, identifico-me com este local, faço questão de vir uma semana e descansar bastante. Este sítio proporciona-me isso. E tenho visitado às vezes familiares no Algarve e sinto-me roubado. Não é questão de pagar, porque se o preço justificasse o serviço não me importava, mas realmente o serviço não justifica o preço e isso faz-me vir a Espanha. Sinto-me bem aqui e não vejo razões para mudar”, concluiu.

Noutra comparação realizada pela Lusa, uma semana de férias no Algarve, o destino nacional de eleição dos portugueses, num hotel de cinco estrelas, custa a um casal mais de 1500 euros em regime de alojamento e pequeno almoço (APA), que se optar por uma viagem até às Caraíbas consegue viajar com tudo incluído por 2000 euros.

Por mais 500 euros, um casal pode viajar até às águas quentes da República Dominicana (Punta Cana), México (Riviera Maya) ou Venezuela (Ilha Margarita) e passar sete noites (nove dias) num hotel de cinco estrelas com todas as despesas de alimentação e de transportes incluídas.


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