Ribeira Grande

“Precisamos de ‘limpar a casa’ para receber o turismo e isso não está a acontecer”

“Precisamos de ‘limpar a casa’ para receber o turismo e isso não está a acontecer”

 

Cristina Pires / Miguel Bettencourt Mota   Regional   17 de Set de 2017, 15:55

João Gomes, cabeça de lista do PCP à Câmara Municipal da Ribeira Grande, quer ‘arrumar a casa’ para receber o turismo e criar obra no concelho. Problemas com o saneamento básico, recolha de lixo e efetivo policial estão no lote das preocupações


Por que aceitou o desafio de se candidatar?
Este é um desafio que aceito há vários anos. Acho que respondo a uma necessidade do povo da Ribeira Grande. O povo precisa de fazer chegar a sua voz ao presidente da Câmara e esse porta-voz sou eu. Percebo as necessidades daquela gente e como eles não conseguem fazê-las chegar ao topo, sou eu que as transporto.

É candidato há vários anos, assume-se no papel de porta-voz do povo... Como explica que nunca tenha sido eleito?
Eu tenho uma história muito curiosa para partilhar convosco. Sabem que tive pessoas nas minhas listas que pediram a familiares para votarem nelas, mas que nem mesmo assim foi possível? As pessoas mais antigas ainda mantêm a mentalidade de votar no PS ou no PPD e não compreenderam que há uma renovação para melhor no PCP.
Em que medida a sua experiência política, aliada ao seu percurso profissional - o senhor é empresário -, pode ser uma mais-valia se for eleito no dia 1 de outubro?
Se eu for eleito no primeiro dia de outubro acho que a minha experiência e a minha idade - já um pouco além do que é habitual nos atuais presidentes de Câmara - vai ser uma mais-valia. Precisamos de ‘limpar a casa’ para receber o turismo e, neste momento, não é isso que está a acontecer. Estamos a ter muitos problemas com o turismo e atualmente e vê-se que há falta de informação e de qualidade...

... E o que propõe como alternativa? Que problemas deteta neste setor?
Por exemplo, há oito anos foi-me apresentado pelo então presidente da autarquia, Sr. Ricardo Silva, um projeto para as Caldeira Velha em que as obras se fariam com materiais da natureza e que impedia a entrada de viaturas civis no local (a não ser os Bombeiros). Eu propus que se fizesse um parque automóvel ao lado da Caldeira Velha, mas até hoje nada se concretizou e o resultado está à vista: há um grande engarrafamento no local. Não foram pelas minhas ideias, quando havia espaço para se fazer um parque automóvel e ter um vigilante para salvaguardar os bens dos visitantes...

...Acha que isso deve ser feito no futuro?
Quando se fizeram obras na Caldeira Velha isto já deveria ter sido feito. Quando lhe digo que a casa ‘não está limpa’ para receber o turismo é a este tipo de situação que me refiro. Outra coisa que está muito mal é o turismo - à deriva - a tomar banho na Lagoa do Fogo quando é proibido...

...Ou seja, o que defende, no fundo, é uma maior fiscalização nesses sítios?
  Fiscalização e informação. Era necessária muito mais informação para o turismo que não há neste momento.

Para além destes pontos que identificou no setor, há outros que considera ser importante melhorarem?
A Ribeira Grande é um concelho com grande potencial turístico. Tem muito para mostrar ao turismo e a Câmara tem que se organizar para que tudo possa dar certo.

O setor do turismo está em franco crescimento em São Miguel. A Ribeira Grande tem, do seu ponto de vista, beneficiado desse número de turistas que é presença massiva na ilha?
Sim, está a ver-se pelas estatísticas que o turismo se expande, muito graças à liberalização do espaço aéreo e ao facto das companhias aéreas apresentarem passagens a preços acessíveis.

A falta de emprego é uma realidade no concelho da Ribeira Grande. Não sendo esta uma competência da autarquia, o que pode ainda assim fazer e que incentivos pode criar para atrair investimentos para o concelho que sejam sinónimo de emprego e de riqueza?
Nesse sentido, o concelho da Ribeira Grande tem muitas obras para fazer e espero que haja vontade para isso. No mandato do Sr. Alexandre Gaudêncio não se tem visto obra nenhuma feita, a não ser agora umas pequenas obras que surgem em cima das eleições. Destes anos todos em que eu ando a defender a Ribeira Grande, graças a Deus o Governo Regional já abriu o concurso para as águas das Lombadas, o que vai permitir criar emprego no concelho. A Câmara Municipal também poderia dar mais trabalho e, por vezes, não está a colaborar com os pequenos e médios comerciantes. Eu sei que eles sentem que a autarquia não contribui para o desenvolvimento comercial do concelho.

Quando fala que há falta de obra no município, a que se refere?
Estou-me a referir à nova ponte, ao passeio atlântico e a obras de remodelação e de saneamento básico nalgumas freguesias. Refiro-me a obras que o Sr. Alexandre Gaudêncio deveria ter realizado desde o início do mandato e não fez, a pequenas moradias em risco de ruir e que o Sr. Gaudêncio ainda não visitou... São estas obras que deveriam ter sido concluídas, mas que ainda não começaram.
Houve também falta de informação por parte da Câmara Municipal quanto às obras de saneamento básico no Pico da Pedra que também não começaram e que o tribunal da Ribeira Grande cancelou. Agora, esse problema já está resolvido, a obra está em curso e vamos lá ver se chega ao fim...

...Essa questão do saneamento básico é algo que o preocupa em particular?
Isto preocupa-me bastante e as ETAR [Estações de Tratamento de Águas Residuais] também me preocupam. Eu já propus ao Sr. Alexandre Gaudêncio que colocasse a ETAR no concelho e ele o que me disse era que ia fazer umas pequenas ETAR para resolver o problema dos esgotos a céu aberto e isto ainda não foi feito.
Vejo também necessidade do Sr. Gaudêncio estender a mão a Rabo de Peixe, a freguesia que lhe colocou no cargo em que está. Parece-me que se esqueceu da freguesia...Há muitas pessoas que não podem parar junto à zona da COFACO devido ao mau cheiro no local e eu não sei se a ETAR está a trabalhar a 100 por cento...Como há mau cheiro no local, é capaz de não estar a trabalhar bem.

Que soluções propõe para estas questões?
Proponho uma reunião com a administração da COFACO para resolver o problema dos maus cheiros.

Como é que avalia a recolha do tratamento de lixo que é feita no concelho?
Eu julgo que seria uma mais-valia que a Câmara fizesse a recolha. O que verifico é que a recolha não é a mais correta e que as pessoas estão a pagar muito dinheiro por ela e não têm o melhor serviço.

Acha que a autarquia podia investir em mais campanhas de sensibilização e fiscalização?
Sim. Devia haver mais informação ( que é algo que falta) e fiscalização sobre a empresa que está a fazer essa recolha porque, ora o camião está avariado, ora não há condutor. Além disso, por vezes, o lixo fica de um dia para o outro... Isso são situações que não são admissíveis.

Acha, então, que essa responsabilidade da recolha e tratamento do lixo devia ser da própria autarquia?
A entidade responsável é sempre a Câmara, mesmo a recolha sendo feito por uma empresa privada. É a Câmara que tem de supervisionar os problemas que dela decorrem...

...Ou seja, não acha mal que este serviço esteja concessionado a uma empresa privada, mas defende que o serviço tenha outra qualidade?
É preciso que tenha outra qualidade. Quando uma coisa corre mal, o utente não se vai queixar à empresa, vai-se queixar à Câmara, que, por sua vez, tem obrigação de voltar a pôr o comboio em cima dos carris.

O João Gomes falou aqui na falta de emprego no concelho, há outras questões sociais que o preocupam na Ribeira Grande?  
Sim, há outras questões sociais que me preocupam. Em tempo, preocupava-me muito a situação da Polícia no concelho. Se olharmos, vemos que as esquadras não estão apropriadas às exigência da função. Recordo-me que no passado chegaram a andar com a ‘casa às costas’ de um lado para o outro. Também me lembro da luta entre as juntas de freguesia do Pico da Pedra e de Rabo de Peixe para saber qual a que iria         ter uma esquadra. Mas pronto, qualquer uma delas - mesmo a esquadra da Ribeira Grande - não tem sede própria. Sabemos que a culpa disso é da Administração Interna, mas cabe ao presidente da Câmara reivindicar uma sede própria e dar uma ‘mãozinha’. Porque não me esqueço do carro que o Sr. Ricardo Silva ofereceu à Polícia, mesmo sem ter casa... Já o atual presidente tinha obrigação de ver o sítio para fazer a esquadra...

...Tem alguma sugestão?
De momento, não. Até porque eles estão acomodados por uns tempos. O que me preocupa mais agora é a falta de efetivos. Vejo que há falta de policiamento, vejo que se há uma emergência em Rabo de Peixe a Polícia tem de sair e fechar a esquadra por falta de meios. Defendo, por isso, que deve haver um reforço de efetivos na PSP (...)

A Câmara da Ribeira Grande reduziu no último mandato a dívida da autarquia em 5,1 milhões de euros, sendo que o montante da dívida atual ainda é da ordem dos 10,7 milhões de euros. Esta é uma questão que o preocupa?
A dívida nunca me preocupou e recordo-me de o Sr. Ricardo Silva dizer que seria para pagar a longo prazo. Sei que para o Sr. Gaudêncio o valor desta dívida foi preocupante porque teve quase de ser paga ‘logo e já’. O seu papel foi importante no reduzir da dívida, mas esqueceu-se de coisas muito importantes no concelho que eram para se fazer e não se fizeram...

...Como por exemplo?
Na Lomba de Santa Bárbara, há famílias que estão a ver as casas a ruir devido à linha de água que passa por baixo delas...Esse problema foi sinalizado quatro meses depois do atual presidente tomar posse e até agora se foi resolvido.

João Gomes, está confiante na sua eleição, no dia 1 de outubro?
Com a equipa que eu tenho estou muito confiante e penso que o povo ribeira-grandense vai olhar para mim com outros olhos, uma vez que já viu o resultado do meu trabalho, Vamos lá ver.

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