Erdogan diz que sírios não podem ser forçados a optar entre Assad e "grupos terroristas"

Erdogan diz que sírios não podem ser forçados a optar entre Assad e "grupos terroristas"

 

Lusa/AO online   Internacional   1 de Out de 2015, 17:25

O líder da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, considerou no parlamento de Ancara que a Síria não pode ser forçada a optar entre o Presidente Bashar al-Assad e os "grupos terroristas" como o grupo Estado Islâmico (EI).

 

Erdogan, que sempre rejeitou a possibilidade de cooperação com Assad para combater o EI, dirigia-se aos deputados um dia após o início da intervenção militar aérea da Rússia no país vizinho em apoio do regime de Damasco.

"O povo sírio não pode ser confrontado com a escolha entre um regime que o massacra e as organizações terroristas", declarou.

Bashar al-Assad continua a ser excluído pela Turquia num cenário de eventual solução para a crise no país.

Na segunda-feira, o primeiro ministro turco Ahmet Davutoglu afirmou em Nova Iorque, à margem da Assembleia geral da ONU, que a Turquia está preparada para cooperar com todos os países, incluindo a Rússia, na busca de uma saída política, mas sem Assad, e que permita vencer o EI.

No seu discurso de hoje, Erdogan evitou uma alusão direta às recentes ações militares russas em território sírio, mas disse esperar que "os recentes desenvolvimentos ajudem a resolver este problema que se prolonga há quase cinco anos".

Pelo contrário, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Feridun Sinirlioglu, manifestou também hoje "sérias preocupações" face aos ataques aéreos russos na Síria.

"Estamos seriamente preocupados sobre a informação de que os ataques aéreos da Rússia na Síria atingiram locais da oposição e não o Daesh [EI]", disse, citado pela agência estatal Anatólia.

A Turquia acolhe oficialmente 2,2 milhões de refugiados sírios desde o início da sangrenta guerra civil e diz já ter despendido 7,2 mil milhões de euros, acusando com frequência a União Europeia (UE) de pouco envolvimento nesta crise.

"Não temos o direito de deixar os nossos irmãos morrerem no Mediterrâneo ou trata-los com crueldade nas fronteiras ou nas estações, como o fazem alguns países europeus", disse ainda Erdogan na sua intervenção.


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