Portugueses garantem postais em caixas do correio...reais

Portugueses garantem postais em caixas do correio...reais

 

AO/Lusa   Nacional   15 de Nov de 2014, 12:41

O hábito de abrir a caixa do correio não se perdeu, mesmo quando a correspondência varia entre contas e publicidade, mas há 5.600 portugueses que são exceção ao receberem postais reais depois de se inscreverem numa rede virtual.

 

O projeto tem nome inglês – ‘postcrossing’ (cruzamento de postais) -, apesar da ideia ter surgido de um português, a residir em Berlim. Em 2005, era Paulo Magalhães estagiário de Engenharia de Sistemas e Informática e começou a lamentar receber cada vez menos postais por parte dos amigos.

A companheira Ana Campos é que conta a história e a dedução do namorado: “um dia pensou que talvez houvesse outras pessoas com caixas de correio vazias e vontade de receber postais e então decidiu criar o projeto ‘Postcrossing’”.

“A ideia é simples: quem envia, recebe — e quanto mais se enviar, mais se recebe. Foi o projeto perfeito para resolver o problema da caixa de correio vazia do Paulo e de muitas outras pessoas pelo mundo fora”, assegura, por correio, mas eletrónico, Ana Campos à agência Lusa.

Ao contrário da experiência de que alguns ainda se lembram, os ‘penfriends’, Ana lembra que neste caso há comunicação à distância, mas sem que haja troca de correspondência contínua e prolongada.

O primeiro passo neste projeto é o registo em http://www.postcrossing.com/, ao qual se segue o pedido de uma morada, em qualquer parte do mundo, para enviar um postal, no qual tem de estar escrito, pelo menos, um código dado pelo ‘site’.

Com a chegada do postal, o destinatário regista o código no ‘site’ e torna o remetente na próxima pessoa a receber correspondência de um utilizador aleatório desta rede.

“Cada troca é única e acontece sempre com pessoas diferentes. Deste modo, o sistema assegura que os postais que se recebem vêm sempre de sítios inesperados. E que há sempre uma surpresa à nossa espera quando abrimos a caixa do correio”, acrescenta Ana Campos.

Atualmente, o projeto é “especialmente popular na Rússia, Alemanha, USA, Holanda, Finlândia” e em Portugal há 5.600 utilizadores, que já enviaram 348 mil postais.

Como principais motivos para a rede funcionar estão a “surpresa, o prazer de chegar a casa e encontrar qualquer coisa que não contas ou publicidade à nossa espera na caixa de correio” e a “empatia/dedicação”. “Quando recebemos um postal, sabemos que alguém que não conhecemos, algures noutra parte do mundo, dedicou uns minutos do seu dia a escrever este postal para nós. É um pequeno gesto, mas tão humano e altruísta, que nos toca a todos”, explica a Ana, referindo que numa altura em que a comunicação é feita através de 'like' no Facebook ou Instagram, se pode contrapor um postal, que “implica esforço e dedicação”.

“Não é por acaso que são os postais que colamos no frigorífico ou levamos connosco para o local de trabalho para mostrar aos colegas”, notou a portuguesa, que recordou ainda que nesta rede também se aprende com o “contacto com outras culturas”.

Para os registos de memória da comunidade há histórias de amizade, de escolas que usam o projeto, como ocorreu em Tuvalu, e vários casamentos, como o dos ucranianos Ivan e Natália, que se conheceram num encontro de utilizadores do ‘Postcrossing’.

Há selos que foram lançados tendo por base o projeto, que já possibilitou muitas reuniões entre os denominados ‘postcrossers’, provando que a comunicação pessoal pode ter ajudas digitais e, sobretudo, do carteiro.


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