Portugueses devem trabalhar com europeus para tentar influenciar

Portugueses devem trabalhar com europeus para tentar influenciar

 

Lusa/AO online   Economia   20 de Jul de 2017, 15:33

Uma ativista portuguesa em Londres apelou aos cidadãos europeus no Reino Unido, incluindo portugueses, para que participem em eventos e tentem influenciar as negociações do ‘Brexit’.

Mariana Gouveia representou o grupo de emigrantes portugueses no Reino Unido ‘Migrantes Unidos’ numa reunião sobre o ‘Brexit’ na assembleia municipal de Londres, realizada na quarta-feira à tarde.

Em declarações hoje à Lusa, a portuguesa admitiu que a discussão ainda é "muito teórica" porque as negociações com Bruxelas ainda estão em curso.

Porém, defendeu que a participação é importante "para fazer pressão para que a situação seja esclarecida o mais rápido possível e para que produza a melhor solução possível".

Em causa estão o estatuto e direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido após o ‘Brexit’, em 29 de março de 2019, atualmente em discussão em Bruxelas.

Na reunião, contou Mariana Gouveia, falou-se de como a proposta apresentada por Londres pode representar maiores dificuldades para a reunificação de famílias, incluindo crianças.

"Não queremos ser tratados de maneira especial, mas não estão a reconhecer os nossos direitos adquiridos", disse hoje à agência Lusa.

No encontro participaram vários especialistas, incluindo Charlotte O'Brien, professora da Faculdade de Direito da Universidade de York, que denunciou o impacto atualmente já sentido por alguns europeus.

Segundo um estudo realizado, desde o referendo de 23 de junho de 2016 que votou o ‘Brexit’, os cidadãos europeus têm sentido "mais dificuldades em conseguir arrendar casas no setor privado, porque os senhorios estão cautelosos em arrendar a cidadãos europeus devido à incerteza existente".

Na banca, há casos de maior dificuldade em abrir contas ou em conseguir créditos à habitação e alguns empregadores estão preocupados em contratar europeus ou estão a pedir aos atuais funcionários documentação sobre os direitos de residência.

"Não têm razão para isso, o referendo não criou essa necessidade. Há uma confusão sobre o estatuto dos europeus", lamentou a académica.

A reunião da Assembleia de Londres, um órgão municipal eleito da cidade de Londres, pretendia saber como se estão a preparar para o 'Brexit' os cidadãos da União Europeia que vivem em Londres, quais são as suas preocupações e o apoio prático que agora precisam.

O resultado desta discussão, que durou cerca de duas horas e meia, vai agora ser transmitido ao ‘Mayor’ de Londres, Sadiq Khan, para fundamentar eventuais ações futuras.


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