Portugal entre 16 países da UE alvo de vigilância por desequilíbrios macroeconómicos

Portugal entre 16 países da UE alvo de vigilância por desequilíbrios macroeconómicos

 

Lusa/AO online   Economia   28 de Nov de 2014, 10:27

Portugal é um dos 16 Estados-membros da União Europeia que "necessita de análises minuciosas" à acumulação e à correção dos desequilíbrios macroeconómicos, segundo identificou a Comissão Europeia, no seu "relatório de mecanismo de alerta".

Portugal integra a lista de países que Bruxelas vai seguir atentamente, juntamente com Bélgica, Bulgária, Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Croácia, Hungria, Holanda, Roménia, Eslovénia, Finlândia, Suécia e Reino Unido, na primeira vez em que é incluído neste exercício, que visa identificar precocemente potenciais desequilíbrios que possam comprometer o desempenho das economias nacionais, da zona euro ou da UE no seu todo, já que antes estava sob programa de assistência.

“No contexto da integração de Portugal no ciclo de vigilância normal da UE, a Comissão considera útil examinar os riscos envolvidos, numa análise aprofundada para avaliar se existem desequilíbrios”, indicou hoje o executivo comunitário, que aponta como motivos de preocupação a posição “muito negativa” de investimento internacional do país e os níveis elevados de dívida pública, dívida privada e desemprego.

A Comissão refere que, sob programa, Portugal “deu passos consideráveis com vista a corrigir riscos macroeconómicos”, mas, ressalva, o painel de avaliação atualizado revela que, ainda assim, vários dos indicadores que são tidos em conta na elaboração do relatório do mecanismo de alerta permanecem aquém das metas indicativas, designadamente aqueles antes mencionados.

Relativamente ao setor bancário, Bruxelas diz que, “apesar dos acontecimentos recentes relacionados com um banco específico”, o Banco Espírito Santo, “o setor bancário português foi estabilizado com sucesso”, com uma adequada capitalização dos bancos e uma contínua melhoria do acesso a liquidez baseada no mercado.

No entanto, sublinha o executivo comunitário, os níveis de desempenho muito frágeis ao nível dos empréstimos e o “fraco” ambiente económico global “continuam a deixar os bancos vulneráveis a choques macroeconómicos e limitam a sua capacidade de providenciar financiamento à economia real”.

Neste processo de supervisão ao abrigo do Procedimento relativo aos Desequilíbrios Macroeconómicos, nos casos em que a Comissão considera necessárias novas análises aprofundadas para examinar em pormenor a acumulação e a resolução dos desequilíbrios e dos riscos relacionados, como acontece então este ano com Portugal, as mesmas serão levadas a cabo nos próximos meses e as conclusões apresentadas na primavera.

Na sequência dessas análises aprofundadas, que envolverão discussões com as autoridades nacionais, Bruxelas concluirá então se existem efetivamente desequilíbrios, podendo, em conformidade, preparar recomendações para cada Estado-membro.

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