População de Vila Franca do Campo, campeã da abstenção, assume desinteresse

População de Vila Franca do Campo, campeã da abstenção, assume desinteresse

 

Lusa/AO Online   Regional   25 de Jan de 2016, 13:17

Em Vila Franca do Campo, nos Açores, concelho campeão da abstenção nas eleições de domingo, a população assume desinteresse por este ato eleitoral, com a suspeita de que a situação do país fica igual.

“Costumo votar mais quando é para presidente da câmara”, disse à Lusa Maria Rosa, de 55 anos, empregada de uma grande superfície comercial no concelho, na ilha de São Miguel, afirmando que não votou porque estava de serviço, mas se estivesse de folga também não sabe se lá teria ido.

Junto à superfície comercial, uma mãe e a filha assumem papéis diferentes em relação às presidenciais.

“Eu nunca fico atrás. Fui votar, mas detesto quando a minha filha faz isso e não vai”, referiu Maria de Almeida, 66 anos, residente da freguesia de Água d'Alto, confessando gostar do "senhor que ganhou".

Ao lado, a filha Tracy Silva, 30 anos, justificou a sua ausência da mesa de voto: "Fui ver a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que está em peregrinação pela ilha de São Miguel".

Ainda assim, a jovem admitiu que já tinham comentado, em casa, que "a maior parte das pessoas da Vila não iam", porque "não estão muito interessadas nestas eleições".

"Além disso, esteve cá a imagem de Fátima", reforçou.

Não muito longe, num estabelecimento comercial no largo Bento Gois, Melissa Custódio, de 24 anos, garantiu que não tem por hábito votar, só "uma vez ou outra", e declarou-se desiludida com a política.

“Não sou muito de partidos, mas na minha casa foram todos votar, menos eu”, disse à Lusa, afirmando que já votou para a presidência do Governo Regional.

Ao balcão de uma loja de venda de eletrodomésticos, Conceição Carvalho, de 51 anos, assumiu que também não foi votar no domingo.

“No sábado esteve muito mau tempo. E no domingo não me apeteceu sair”, afirmou. Pelo contrário, o colega de trabalho, Carlos Silva, de 37 anos, exerceu o seu direito de voto no domingo, mas reconheceu que as pessoas estão desiludidas.

Para Maria de Jesus, de 56 anos, outra moradora, "as pessoas votam sempre menos quando é para estas eleições", as presidenciais.

"Mas quando é para o presidente do Governo Regional dos Açores até faz fila", frisou, acrescentando que no seu caso não foi votar por questões de saúde, mas o marido, o filho e o irmão foram.

Ainda no largo central da sede do concelho, Carlos Carreiro, de 45 anos, desempregado, disse que tem por hábito votar, mas reconheceu que as pessoas devem estar "cansadas de tanta política".

De passo apressado para as aulas, o jovem Romeu Silva, de 16 anos e aluno do 10.º ano, lamenta que ainda não possa votar, garantindo que se pudesse ia.

“As pessoas não confiam nos políticos. Acham que mesmo votando não ia fazer diferença”, sustentou o jovem, quando confrontado com a abstenção.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, o socialista Ricardo Rodrigues, admitiu à Lusa que a “falta de propaganda”, a ausência dos candidatos no concelho, as características do ato eleitoral e o facto de o concelho ter muitos emigrantes podem ter contribuído para a elevada abstenção.

Nas eleições presidenciais de domingo, nas quais Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito Presidente da República, a Região Autónoma dos Açores registou a maior percentagem de abstenção, com 69,08%, enquanto Lisboa foi o distrito onde se verificou a menor taxa de abstenção, 46,42%.

Na contabilidade por concelhos, Vila Franca do Campo foi aquele em que houve a maior abstenção, 76,41%.

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