Ponta Delgada com espaço de homenagem às vítimas da violência doméstica

Ponta Delgada com espaço de homenagem às vítimas da violência doméstica

 

Lusa/AO online   Regional   6 de Mar de 2015, 17:09

O Parque Urbano de Ponta Delgada tem desde esta sexta-feira um espaço que homenageia as vítimas de violência doméstica e apela à reflexão e ação de toda a sociedade em relação a este problema.

 

A ideia foi da UMAR/Açores (Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres), a que se juntaram a Câmara Municipal de Ponta Delgada e o Governo Regional açoriano, tendo sido hoje colocada no espaço uma placa de "homenagem a todas as vítimas de violência doméstica".

Os presentes respeitaram ainda um minuto de silêncio em memória "de todas essas mulheres" que morreram vítimas do crime da violência doméstica ou permanecem "fechadas nas suas casas" ou "fechadas em si mesmas", nas palavras da presidente da UMAR/Açores, Maria José Raposo.

A violência doméstica não é um problema das mulheres ou das famílias que dela são vítimas, ou de uma determinada classe social, sublinhou Maria José Raposo, enfatizando que "é um flagelo social", do foro da "saúde pública" e, assim, "um problema de todos".

A presidente da UMAR/Açores considerou que os números da violência doméstica são "assustadores", referindo as 42 mulheres mortas em Portugal no ano passado e as seis assassinadas nos primeiros dois meses de 2014.

No caso dos Açores, destacou que o último estudo feito na região concluiu que 53% das mulheres já foram vítimas de algum tipo de violência de género, apresentando o arquipélago números semelhantes ao que se registavam a nível nacional "há muitos anos". Estes são números que remontam a 2008, pelo que Maria José Raposo considera que seria oportuno fazer um novo estudo.

Segundo os dados das autoridades policiais, os Açores são, por outro lado, a região do país com maior número de denúncias de violência doméstica, o que a presidente da UMAR na região considerou ter um lado positivo e ser resultado do trabalho que tem sido desenvolvido nas ilhas, por um conjunto de entidades, para tentar criar uma rede de resposta e apoio às vítimas.

Maria José Raposo vincou que a violência doméstica está relacionada com a educação e as mentalidades, que têm de ser "desmistificadas" e "conversadas", sendo a prevenção e a sensibilização da comunidade a aposta que tem de ser feita na abordagem a este problema.

À UMAR/Açores chegou um caso novo de violência doméstica por semana em 2014, "mas a linha [telefónica da associação] toca todos os dias", afirmou, dizendo que nos primeiros meses deste ano os números são os mesmos.

Por outro lado, tem sido registado uma morte por violência doméstica todos os anos nos Açores desde 2008. Nesse ano, houve seis mortes, tendo sido o número mais alto já registado no arquipélago.

Estiveram presentes nesta homenagem o presidente da câmara de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, e o diretor regional da Solidariedade Social, Frederico Sousa.

Os dois sublinharam a importância de mudar mentalidades e de denunciar um crime que é uma "responsabilidade transversal" a toda a sociedade.


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