Pedidos de exames devolvidos a médicos da ilha de São Miguel para reavaliação

Pedidos de exames devolvidos a médicos da ilha de São Miguel para reavaliação

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Fev de 2015, 17:46

A Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel confirmou que foram devolvidos pedidos de exames feitos desde 2012 aos clínicos que os prescreveram, para reavaliação, situação que a Ordem e o Sindicato Independente dos Médicos consideram inaceitável.

 

Segundo a Unidade de saúde de ilha de São Miguel, as prescrições em causa foram devolvidas aos médicos depois de o Hospital Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, ter devolvido essas requisições por não as ter cumprido, numa altura em que entrou em vigor um novo regime de convenções com entidades do setor privado.

"Entendeu-se, por critérios clínicos, devolver exclusivamente aos respetivos médicos prescritores para que eles próprios reavaliarem a necessidade de manutenção de exames. Eventualmente, há muitas situações em que o próprio utente já teria feito o exame noutro serviço e seria perfeitamente escusado e um desperdício estar a realizá-lo duplamente sem qualquer relevo clínico", afirmou Mário Medeiros, vogal do conselho de administração da Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, em declarações à Lusa.

Mário Medeiros sublinhou que a prescrição de exames complementares de diagnóstico "é um ato clínico" e "qualquer reavaliação, em circunstâncias que se entendam necessárias, terá de ser feita pelo médico e não num processo administrativo".

"Dentro do horário dos médicos que têm vínculo público, portanto, que trabalham para os centros de saúde, há um período semanal de horas não assistenciais para a gestão da sua lista e dos processos", sublinhou ainda, rejeitando a falta de disponibilidade dos clínicos para fazer esta reavaliação dos pedidos de exames.

Mário Medeiros disse, por outro lado, não saber quantos exames foram devolvidos, depois de confrontado com a possibilidade de serem milhares.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) condenou esta devolução de requisições de exames, dizendo que "não faz qualquer sentido".

"É uma situação que deveria ser alvo de um procedimento administrativo. É saber, desses exames que foram pedidos, quais os que foram feitos no sistema privado ou de outra forma e todos os outros devem ser feitos", disse André Frazão, delegado nos Açores do SIM para a medicina geral e familiar.

O sindicalista considerou que é despropositado estar a proceder a "uma reavaliação clínica" de pacientes a quem foram pedidos exames como ecografias, mamografias ou TAC desde 2012.

"Que cara tem um médico para fazer uma reavaliação clínica acerca de um exame que foi pedido há dois ou três anos?", questionou.

O sindicalista insistiu em que "cabe a quem administra resolver essas situações" e admitiu que os médicos terão dificuldades para reavaliar todos os pacientes envolvidos, por causa "da carga de trabalho" que têm.

Também o presidente da delegação nos Açores da Ordem dos Médicos considerou que esta "é uma situação inaceitável" e com prejuízo para os utentes.

"É evidente que é uma situação inaceitável, na medida em que exames pedidos em 2012, para esclarecimentos de diagnóstico ou para um seguimento planeado para situações médicas, precisavam de ser feitos na altura e que os atrasos podem ter prejudicado gravemente os doentes, inclusive pode ter morrido alguém por não ter o diagnóstico esclarecido", disse Jorge Santos.

 


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