PCP pronto a assumir responsabilidades que o povo atribua

PCP pronto a assumir responsabilidades que o povo atribua

 

LUSA/AO Online   Nacional   8 de Dez de 2014, 21:04

O secretário-geral do PCP colocou "perguntas fundamentais" para poder "conversar" sobre a constituição de um futuro Governo, assegurando que o partido está pronto a assumir "todas as responsabilidades, designadamente governativas" que o povo lhe atribua.

Jerónimo de Sousa participou hoje num almoço que reuniu cerca de 500 pessoas em Benavente, deixando algumas “interrogações” tendo em conta o trajeto do Partido Socialista (PS), que, mesmo quando teve maioria absoluta, foi “pelo seu próprio pé, sempre livremente e ligeirinho, para a direita”. “Por isso fazemos estas interrogações. Conversar, podemos conversar, mas respondam, porque estaremos de acordo que o pior seria este PCP, com uma só cara, uma só palavra, a troco deste ou daquele lugar num Governo, abdicar de saber: um Governo para quê, um Governo para quem? Para governar para o povo ou para o capital? São perguntas fundamentais, primeiras e principais que temos de fazer”, afirmou. Jerónimo de Sousa declarou que o Partido Comunista Português (PCP) assumirá “todas as responsabilidades, designadamente governativas, que o povo português entenda atribuir [ao partido] - não o PS - (…) na luta e no voto”, assegurando que não abdica da “política alternativa, dessa rutura que é necessária, porque no pântano ninguém consegue nadar”. O líder comunista sublinhou a “diferença” do PCP, num “quadro de corrupção, de tanta mentira e de tanto equívoco”, por ter um ideal e “estar na política de forma ética”. Referindo-se aos “casos que têm abalado a realidade política e social” do país, Jerónimo de Sousa afirmou que não se trata de “uma questão comportamental deste ou daquele indivíduo”, mas que “é a própria política de direita que é adubo e semente dessa mesma corrupção”. Para Jerónimo de Sousa, a situação de corrupção “faz perigar o próprio regime democrático”, que, frisou, não é a origem do problema. “Não é um problema da Constituição, não é um problema do regime democrático, mas sim resultante da própria política de direita”, disse, recordando que os constituintes “aprovaram um preceito em que diziam que o poder económico não se pode sobrepor ao poder político” e que é a “distorção” deste preceito que hoje “permite o processo de corrupção” a que se assiste em Portugal. O almoço, no pavilhão Nossa Senhora da Paz, contou com a presença de personalidades do mundo do futebol, como Toni, António Simões (que chegou a ser deputado pelo CDS, eleito pelo círculo fora da Europa), Álvaro e João Malheiro, tendo Jerónimo de Sousa começado o seu discurso com uma saudação e um “sublinhado especial” aos que, “não sendo comunistas, apenas patriotas preocupados com o seu país”, quiseram estar presentes.


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