PCP e BE pressionam Costa com solução para pensões das carreiras longas

PCP e BE pressionam Costa com solução para pensões das carreiras longas

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   12 de Abr de 2017, 18:55

O debate quinzenal seguiu o guião definido por António Costa, que anunciou o fim da penalização das pensões para carreiras muito longas, com PCP e BE a tentarem "prender" o Governo a uma meta.

 

O primeiro-ministro citou os “Esteiros”, de 1941, de Soeiro Pereira Gomes, escritor e militante comunista, e os “homens que nunca foram meninos”, obrigados a trabalhar desde crianças, antes de anunciar que o Governo vai eliminar a penalização para quem se reformar aos 60 anos, tendo começado a trabalhar aos 14 anos.

“Esta é a visão que temos de solidariedade entre gerações: em que ninguém com mais de 65 anos viva abaixo do limiar de pobreza; em que os que começaram a trabalhar aos 12 ou aos 14 anos se podem reformar aos 60 sem penalização", disse, no discurso inicial.

Pela ordem do debate, primeiro foi Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, a questionar Costa sobre um calendário claro este assunto, mas o líder comunista, Jerónimo de Sousa, a assumir a deceção.

"Há uma expectativa correta e a que temos de responder para que o problema esteja respondido rapidamente. Cada dia que passa é um dia em que estamos a falhar às pessoas", disse Catarina Martins.

António Costa respondeu que é preciso “fazer justiça em relação ao passado sem comprometer o futuro” e disse esperar que Bloco entre neste debate.

Jerónimo de Sousa apontou ao Governo do PS, que tem o apoio parlamentar do PCP, BE e PEV, para assumir uma "desilusão profunda".

“A proposta do Governo defrauda a generalidade dos trabalhadores nesta situação. Eles acreditaram que não iam ter de trabalhar até ao limite das suas forças e da sua vida. Acreditaram nas suas palavras e posicionamentos em debates anteriores”, disse.

No fim, António Costa fez um elogio ao "espírito construtivo" do Bloco, PCP e do PEV nos primeiros 500 dias de Governo, defendendo que os portugueses querem que essa cooperação política continue, e considerou que a "direita" está atualmente bloqueada.

À direita, o PSD atacou a estratégia “entradas de leão e saídas de ratinho” do executivo por, em Lisboa, pedir a demissão do presidente do Eurogrupo e não fazer o mesmo nas reuniões dos ministros das Finanças da união Europeia, como aconteceu em Malta, na semana passada.

“Em Lisboa, tem entradas de leão, a pedir a cabeça do presidente do Eurogrupo. Nas reuniões em Bruxelas, em La Valleta, aí tem saídas de ratinho”, ironizou o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, ainda a propósito das declarações de Joeren Dijsselbloem, que criticou os países do sul por gastarem dinheiro em "mulheres e álcool" e depois pedirem ajuda.

Da parte do CDS, o tema foi outro, também abordado pelo PSD.

A deputada e líder centrista, Assunção Cristas, defendeu que a lei das rendas de que foi responsável no anterior Governo dinamizou o mercado de arrendamento e a reabilitação urbana, agora revertida como marca do imobilismo do primeiro-ministro, António Costa.

E voltou a insistir na linha argumentativa de segunda-feira, num encontro com jornalistas enquanto candidata à Câmara de Lisboa, defendendo os méritos da lei do arrendamento que fez no executivo PSD/CDS-PP e culpando o atual Governo por não querer pagar o subsídio de renda dos inquilinos mais idosos, como tinha ficado estipulado.


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