Passos reafirma que interferência de primeiro-ministro nos privados é um "mau princípio"

Passos reafirma que interferência de primeiro-ministro nos privados é um "mau princípio"

 

LUSA/AO Online   Economia   2 de Abr de 2016, 15:21

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, reafirmou hoje ser "um mau princípio" quando um primeiro-ministro negoceia com privados, defendendo que o Estado não pode interferir na gestão de empresas privadas.

“Os instrumentos públicos são conhecidos. Quando não são usados nesses termos é sempre um mau princípio ver um primeiro-ministro, um ministro, emissários de primeiro-ministro ou de ministros a negociarem com privados matérias que respeitam aos privados e não ao governo”, afirmou aos jornalistas Passos Coelho à entrada para o segundo dia do 36.º Congresso do PSD, que decorre em Espinho, distrito de Aveiro, até domingo. Já na semana passada o ex-primeiro-ministro defendeu ser preciso um “esclarecimento tão transparente quanto possível” sobre a alegada interferência direta do primeiro-ministro, António Costa, nos negócios entre a empresária angolana Isabel dos Santos e o setor bancário. As afirmações surgiram no dia em que o semanário Expresso noticiou que António Costa e a empresária angolana, para ultrapassar o impasse no BPI, se reuniram em Lisboa e terão conciliado posições com o grupo financeiro espanhol La Caixa, com a filha do Presidente de Angola a vender a sua participação no BPI aos espanhóis e o BPI a ceder as suas ações do banco angolano BFA a capitais angolanos. Hoje, questionado se as suas posições são liberais, Passos Coelho salientou que “não se trata de ser liberal nem outra coisa, trata-se de saber qual é a independência que se deve reclamar para os poderes públicos”. “O Estado deve ser uma pessoa de bem, não pode deixar de cuidar do interesse público mas o interesse público obedece a regras”, assinalou o líder do PSD, explicando que “no exemplo da banca ou de outra empresa que possa ser importante, se o Estado entender que está em causa o interesse público maior tem instrumentos para intervir”. “Isto é discutível, podemos concordar ou discordar mas está dentro das regras, o Estado pode ter o interesse em intervir (…) outra coisa é o Estado estar a interferir na gestão de empresas cotadas, que têm acionistas privados e isso o Estado não pode fazer”, frisou.


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