Passos Coelho assume "imagem austeritária", mas rejeita desvios da social-democracia

Passos Coelho assume "imagem austeritária", mas rejeita desvios da social-democracia

 

Lusa/AO Online   Nacional   5 de Fev de 2016, 06:49

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou hoje que lhe está associada uma "imagem austeritária" e de "dureza", mas rejeitou que durante a sua liderança tenha havido desvios dos valores e princípios da social-democracia.

Na sessão de apresentação, quinta-feira à noite, da sua recandidatura à liderança do PSD, na Casa do Comércio, em Lisboa, Passos Coelho leu um excerto do Programa do PSD, revisto em 2012, que define este partido como "reformista" e "alheio aos projetos de transformação radical da sociedade através de planos de engenharia social emanados do Estado".

Tendo como fundo um cenário branco e laranja, com a frase "Social-democracia sempre!", o presidente do PSD dirigiu-se depois para os dirigentes e militantes presentes na sala: "Alguém se sente mal com este programa? Alguém, olhando para o nosso passado, vê este programa ou esta orientação aviltada ou desviada da nossa ação política? Eu não vejo".

O excerto do Programa do PSD que Passos Coelho citou fala num reformismo norteado para "os objetivos da modernização da sociedade, da prosperidade para todos, da abertura do país ao mundo globalizado e do exercício aprofundado das liberdades" e preconiza "um futuro de prosperidade e de coesão social".

"É por isso que concluo que, sendo um partido moderado e reformista, guiado pelo personalismo e pelo realismo, avesso e combatente dos radicalismos e dos socialismos de engenharia social, o PSD é hoje, e sê-lo-á cada vez mais, um fator de esperança e um valor de equilíbrio e de segurança para Portugal", acrescentou.

Antes de falar na escolha do lema "Social-democracia sempre!", Passos Coelho fez um balanço positivo dos últimos quatro anos, defendendo, "sem falsa modéstia", que conseguiu promover a mudança económica e social com que se tinha comprometido quando assumiu a liderança do PSD, em 2010.

Segundo Passos Coelho, a governação em período de resgate deixou, contudo, "feridas que ainda precisam de ser saradas" e "marcas naqueles que conduziam as políticas públicas", no PSD e no CDS-PP.

"O facto de, no meu caso, enquanto primeiro-ministro, ter assumido publica e diretamente a condução e comunicação das principais medidas adotadas durante o período de ajustamento fortaleceu, aos olhos de muitos portugueses, a imagem austeritária da figura política que me está associada. Tenho plena consciência disso e não dissimulo a importância dessa evidência", considerou.

Passos Coelho reclamou ter agido em defesa do interesse nacional, pondo em risco "uma reeleição".

"Admito que, à força de não querer falhar, possa ter levado mais longe do que seria necessário a imagem de determinação que ficou associada à fase de austeridade. Mas, se nem todos os portugueses me perdoaram ainda essa dureza, é minha convicção que foram em maior número os que redobraram a sua confiança na minha determinação", completou, assinalando que a coligação PSD/CDS-PP foi a força mais votada nas legislativas.

Neste contexto, declarou: "Tem sido uma honra muito grande representar em Portugal esta visão social-democrata que o meu partido corporiza e que me permitiu defender o meu país, tanto no Governo, como na oposição, tanto na austeridade como na bonança. Por isso me apresento hoje com o lema 'Social-democracia sempre!'".

No início desta sessão de apresentação da candidatura de Passos Coelho às diretas de 05 de março para a liderança do PSD, foi exibido um vídeo de cinco minutos sobre o significado de "ser social-democrata no século XXI".

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.