Passageira de 14 anos provocou queda de ultraleve


 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   7 de Fev de 2017, 17:45

A queda de um ultraleve em Beja em 2015, que provocou ferimentos graves aos dois ocupantes e a destruição da aeronave, foi causada pela passageira, de 14 anos, que puxou os comandos de voo (manche) durante a descolagem.

A conclusão consta do relatório final da investigação ao acidente, publicado na página do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA).

O ultraleve foi consumido pelas chamas quando embateu na pista do Aeródromo Municipal de Beja, na tarde de 1 de janeiro, e causou lesões graves ao piloto, de 66 anos, e à menor, que interferiu “nos comandos de voo” durante a descolagem para um batismo de voo.

“O piloto referiu que durante a corrida de descolagem (…) viu a passageira inclinar-se para a frente, abraçar o manche do lado direito e puxá-lo para ela”, refere o relatório.

Segundo a investigação, o piloto e também proprietário do ultraleve não possuía um certificado médico válido, não tinha um seguro de responsabilidade civil obrigatório, a documentação do motor não correspondia ao motor instalado e o certificado de voo do ultraleve estava caducado.

“Na data do acidente, o piloto estava inibido de exercer os privilégios da sua licença de pilotagem, não porque sofresse de alguma patologia, mas por falta de um certificado médico válido”, relata a investigação.

A menor embarcou pouco antes do pôr-do-sol e após o seu pai e o piloto terem efetuado um voo de lazer, acrescentando o relatório que, apesar do adiantado da hora, havia “vontade” de se realizar um pequeno voo de batismo com a adolescente.

“Não houve tempo para uma explicação sobre pontos essenciais do avião como os comandos de voo (manche e pedais), comandos de motor (localização das manetes), funcionamento dos cintos e abertura das portas. Desta forma, tudo indica que a passageira embarcou no avião desconhecendo por completo o que podia e não podia fazer a bordo”, revela o documento.

A investigação critica a postura do piloto, dos pais da menor e do aeródromo que permitiu o voo, apesar de estar próximo o pôr-do-sol (ultraleves só podem voar com luz, até ao pôr-do-sol).

“Pela pressão gerada relativamente ao adiantar da hora, não foi assegurado pelo piloto um briefing de procedimentos explicativos à passageira, nem os progenitores se preocuparam em fornecer ao piloto as características comportamentais da passageira, sua filha, quanto aos receios de voar, especialmente numa aeronave com estas características”, frisa a investigação.

Os pais autorizaram o voo da filha, mas segundo o relatório final ao acidente, e apesar das várias tentativas, o pai da adolescente nunca autorizou que a filha fosse ouvida pelo investigador do GPIAA, alegando “razões psicológicas”.

O piloto esteve internado 24 dias, nove dos quais em cuidados intensivos, sendo as principais lesões a fratura da bacia em cinco locais e fratura de sete costelas. Atualmente, o sexagenário continua com sequelas ao nível da coluna e lesões em duas costelas.

As lesões sofridas pela passageira obrigaram a internamento hospitalar durante 10 dias. A menor passou a ser seguida na consulta de ortotraumatologia e consulta de psicologia, com evolução demorada.

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