Participantes em projeto Coastwatch observaram a costa e encontraram muito plástico

Participantes em projeto Coastwatch observaram a costa e encontraram muito plástico

 

Lusa/AO online   Nacional   11 de Set de 2015, 18:33

Mais de 2.500 cidadãos participaram em Portugal no projeto CoastWatch, para monitorizar a costa, principalmente alunos de escolas, que encontraram muito lixo, como plásticos, e apontaram a erosão como o maior risco para o litoral.

 

O projeto europeu de educação envolve 23 países, e em Portugal está há 25 anos, coordenado pelo Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), com o objetivo de aproximar os cidadãos da costa e do mar, pedindo a participação na recolha de dados, como a presença de lixo.

"Tivemos ao longo da costa cidadãos a exercer o seu dever de cidadania ao contribuir para o levantamento do estado do litoral no país", na última campanha que decorreu entre novembro de 2014 e julho deste ano, embora com maior incidência na primavera, explicou hoje à agência Lusa a presidente do GEOTA, Marlene Marques.

A responsável realçou a preocupação com a presença dos plásticos, "em primeiro lugar entre os objetos encontrados na análise por categoria de lixo, com mais de 70%, seguidos pelos aparelhos de pesca, cordas e fios".

Embora tenha vindo a diminuir a presença de objetos maiores de plástico, de 2001 a 2010, frisou Marlene Marques, os microplásticos, pequenas bolinhas resultantes da deterioração daquele material, "estão a aumentar, o que é um novo problema, porque são muito difíceis de remover das praias", sendo facilmente confundidos com alimento e ingeridos pelos peixes e aves.

Metade dos 2.630 participantes "conhecem a zona que monitorizam, o que transmite alguma segurança nas avaliações que fazem", referiu a responsável, especificando que o grupo mais representativo foi aquele dos alunos de escolas, com 67%, seguindo-se os escuteiros, com 9%, os professores, com 7% e as Organizações Não Governamentais (ONG), com 4% do total.

Quanto ao número de inquéritos preenchidos pelos participantes, foi o Algarve a apresentar o maior número, com 27%, mas o conjunto da área da Grande Lisboa, Península de Setúbal e Oeste, chega a 30% de participações.

Por outro lado, do total dos questionários realizados, 22% respeitam áreas protegidas, 25% zonas balneares e 8,5% locais de Rede Natura, o que, para a presidente do GEOTA, significa que "há uma grande preocupação das pessoas em conhecerem o seu território".

Os observadores da costa, ou "coastwatchers", concluem que o maior risco para o litoral português é a erosão, indicada por 42% do total, enquanto a acentuada perda de diversidade foi identificada por 15%, a presença de espécies infestantes como as acácias e os chorões por 14%, e a pressão turística por 13%.

"Depositar os resíduos no sítio certo é uma forma de prevenir, mas há um passivo ambiental altíssimo" devido a comportamentos dos últimos anos, defendeu Marlene Marques.

A próxima campanha do CoastWatch vai ter uma novidade. Os participantes "vão utilizar instrumentos digitais para facilitar a observação e a recolha de dados", mas também para uniformizar procedimentos em todos os países do projeto e possibilitar a comparação de dados, avançou a presidente do GEOTA.

Os 25 anos do projeto Coastwatch em Portugal foram assinalados com um seminário internacional que decorreu quinta-feira e hoje, em Lisboa, e contou com a presença de coordenadores de outros países além de investigadores portugueses a trabalhar nesta área.


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