Papa lamenta que migrantes sejam vistos como inimigos e rejeita muros ou barreiras

Papa lamenta que migrantes sejam vistos como inimigos e rejeita muros ou barreiras

 

LUSA/AOnline   Internacional   19 de Nov de 2016, 14:16

O papa Francisco lamentou hoje que migrantes, refugiados e pessoas de diferentes raças sejam vistos como inimigos, rejeitando que se levantem muros, construam barreiras e rotulem pessoas.

Durante a cerimónia de criação formal de novos 17 cardeais, na Basílica de São Pedro, o papa Francisco lamentou o modo como imigrantes ou refugiados são cada vez mais vistos como inimigos.

“Vivemos num momento em que a polarização e exclusão são crescentes e consideradas a única maneira de resolver conflitos”, disse, na sua homilia.

Referindo-se a imigrantes e refugiados, o papa Francisco lamentou que tenham o estatuto de inimigo: “Inimigo por vir de outra terra, ou por ter outros costumes. Inimigo pela sua cor de pele ou pelo seu idioma ou condição social, inimigo por pensar diferente e inclusivamente por ter outra fé”.

Francisco transmitiu aos novos cardeais a mensagem para que ajudem com o seu trabalho a fomentar a fraternidade: “Vimos de terras distantes, temos costumes diferentes, cor de pele, idiomas e condição social; pensamos de modo diferente e inclusive celebramos a fé com rituais diferentes. E nada disso nos faz inimigos, pelo contrário, é uma das nossas maiores riquezas”.

“No coração de Deus, não há inimigos; Deus tem apenas filhos. Nós erguemos muros, construímos barreiras e classificamos as pessoas. Deus tem filhos, e não foi para se livrar deles que os quis”, afirmou.

O papa Francisco criou hoje 17 novos cardeais, dos quais três de países ainda sem representação no colégio cardinalício (Bangladesh, Ilhas Maurícias e Papua Nova-Guiné), reforçando a universalidade da Igreja católica.

Entre os 17 novos cardeais, vindos de 11 países, contam-se 13 com menos de 80 anos. Com mais de 80 anos, os cardeais não podem eleger um novo papa, nem participar no conclave.

Os novos cardeais eleitores serão Mario Zenari (Itália), Dieudonné Nzapalainga (República Centro-Africana), Carlos Osoro Sierra (Espanha), Sérgio da Rocha (Brasil), Blase J. Cupich (Estados Unidos), Patrick D’Rozario (Bangladesh), Baltazar Enrique Porras Cardozo (Venezuela), Jozef De Kesel (Bélgica), Maurice Piat (Maurícia), Kevin Joseph Farrell (EUA), Carlos Aguiar Retes (México), John Ribat (Papua Nova-Guiné) e Joseph William Tobin (EUA).

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