Papa Francisco diz que Europa deve derrubar barreiras e adotar economia mais social

Papa Francisco diz que Europa deve derrubar barreiras e adotar economia mais social

 

Lusa/AO Online   Internacional   6 de Mai de 2016, 13:25

O papa Francisco exortou hoje a Europa a derrubar as barreiras que estão a ser erguidas para impedir a entrada de migrantes e a adotar de forma profunda uma economia social que possa abranger todas as pessoas.

 

Invocando a memória dos fundadores da União Europeia (UE) e do período pós-II Guerra Mundial, o pontífice afirmou que eles “ousaram a mudar radicalmente os modelos” que levaram ao conflito.

“Hoje, mais do que nunca, a sua visão inspira-nos a construir pontes e a derrubar muros”, afirmou o papa, no discurso de aceitação do Prémio Internacional Carlos Magno, cuja cerimónia de entrega decorreu hoje no Vaticano.

“Os projetos dos pais fundadores [da UE], mensageiros da paz e profetas do futuro, não estão ultrapassados”, sublinhou o líder da Santa Sé, afirmando que sonha com uma Europa em que “ser migrante não é um crime”.

Numa cerimónia que contou com a presença dos representantes das principais instituições europeias e de alguns líderes europeus, como a chanceler alemã Angela Merkel, o papa criticou uma Europa “em declínio (…) que está atualmente a retrair-se em vez de privilegiar ações que promovam novas dinâmicas na sociedade”.

“O que aconteceu à Europa do humanismo, líder dos direitos humanos, da democracia e da liberdade? O que aconteceu à Europa, casa de poetas, filósofos, artistas, músicos, homens e mulheres de letras?”, questionou Francisco.

Dirigindo-se aos representantes europeus presentes, o papa pediu aos europeus para terem a coragem de avançar com uma mudança radical do atual modelo económico, de forma a ter uma Europa mais aberta e mais social, mencionando o caso do desemprego, particularmente devastador para os jovens.

“Se queremos repensar a nossa sociedade, precisamos de criar empregos dignos e bem remunerados, especialmente para os nossos jovens”, defendeu o papa argentino, que já tinha exortado a UE durante um discurso diante do Parlamento Europeu em novembro de 2014.

“Como podemos envolver os nossos jovens nesta construção quando estamos a privá-los de trabalho (…) não sabemos oferecer-lhes oportunidades e valores?”, desafiou o pontífice.

O Prémio Internacional Carlos Magno foi estabelecido em 1949 e que destina-se a pessoas e instituições que tenham um papel importante no processo de unificação da Europa.

 


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