Países em desenvolvimento responsáveis por quase metade do comércio mundial


 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Out de 2014, 13:14

A participação dos países em desenvolvimento é pela primeira vez na história quase metade do comércio mundial, indica um relatório que foi apresentado esta segunda-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

O relatório sublinha que durante o período 2000-2012 a participação dos países em desenvolvimento no comércio mundial passou de 33% para 48%.

No mesmo período, a participação das economias em desenvolvimento na produção mundial subiu de 23% para 40%.

"O relatório demonstra o papel de mudança e crescente que as economias em desenvolvimento têm no comércio mundial. Metade das trocas é realizada pelas economias em desenvolvimento. E um quarto destas trocas é comércio Sul-Sul, isto é uma grande notícia", afirmou durante a apresentação do relatório o diretor-geral da instituição, o brasileiro Roberto Azevedo.

O texto sublinha que desde o ano 2000, o Produto Interno Bruto (PIB) ‘per capita’ aumentou 4,7% nos países em desenvolvimento e apenas 0,9% nos países desenvolvidos.

"Os países em desenvolvimento são as nações que mais defendem o comércio. E isso é porque sabem a enorme ligação que há entre comércio e desenvolvimento, e como o primeiro ajuda o segundo", defendeu Azevedo.

Além da importância crescente dos países em desenvolvimento no comércio mundial, o relatório destaca outras três conclusões, designadamente o auge das cadeias de valor acrescentado mundiais, a nova função das matérias-primas nas estratégias de desenvolvimento e a maior sincronização e globalização das crises macroeconómicas.

O texto indica que os países do G-20 registaram um crescimento de dois dígitos nos últimos anos e que a procura de matérias-primas, em muitos casos procedente dos próprios países emergentes, aumentou os preços dos produtos básicos e portanto contribuiu para o desenvolvimento das nações que as possuem.

Entre o ano 2000 e 2011 os países em desenvolvimento aumentaram a participação nas exportações agrícolas mundiais de 27% para 36%.

O relatório indica também que a fragmentação da produção mundial acelerou e que mais de metade das exportações totais dos países em desenvolvimento, em termos de valor acrescentado, está relacionada com as cadeias de produção mundiais.

De facto, a proporção entre países em desenvolvimento com base nas cadeias de valor acrescentado mundiais quadruplicou nos últimos 25 anos.

Por outro lado, o relatório recorda que a sincronização da atividade comercial mundial provocou a mundialização da crise 2008-2009, mas sublinha também as vantagens de um sistema que inclui quase todos os países.

"As normas e regras da OMC ajudaram a mitigar esses 'choques'. E um exemplo claro disso é que depois da grande crise de 2008, não houve uma onda de protecionismo comercial como ocorreu durante a Grande Depressão", afirmou Azevedo.

A 23 de setembro, a OMC reviu em baixa a previsão de crescimento do comércio mundial para 3,1% em 2014, contra 4,7% que tinha previsto em abril último.

A desaceleração da procura das importações na primeira metade do ano foi uma das razões centrais para esta revisão em baixa, segundo os economistas da OMC.

A OMC também ajustou as previsões para 2015, ano em que considera que o crescimento do comércio chegará até ao máximo de 4% em vez dos 5,3% calculados previamente.

Estas taxas são claramente inferiores à média dos últimos 20 anos, a qual foi de 5,2%.

O diretor-geral da OMC recordou estes números e destacou que 2015 vai ser o terceiro ano consecutivo com crescimentos médios abaixo da média. "E não esperamos que isto melhore a curto prazo", afirmou

Mesmo assim, Azevedo referiu-se ao impasse das negociações no seio da OMC e à proliferação de acordos comerciais bilaterais e regionais.

"Precisamos de encontrar uma solução para o 'impasse' no qual nos encontramos. Porque senão avançarmos, os maiores perdedores serão os países em desenvolvimento", afirmou.

Em julho último, os 160 membros da OMC voltaram a ser incapazes de chegar a acordo para adotar oficialmente o acordo de Facilitação do Comércio, o primeiro pacto alcançado no seio da instituição em 20 anos.

"O comércio tem o potencial de ser uma força maior no século XXI. Façamo-lo possível", concluiu.

 


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