“Os delegados de saúde sentem falta de apoio”

“Os delegados de saúde sentem falta de apoio”

 

Paula Gouveia   Regional   30 de Mai de 2010, 15:30

Coordenador regional de Saúde Pública que tomou posse em Abril afirma que há carência de meios nas delegações de saúde e que os delegados de saúde, em especial os médicos de clínica geral, sentem falta de apoio. Amanhã reúne com todos os delegados de saúde dos Açores 
Estando na reforma, porque aceitou o cargo de coordenador regional da Saúde Pública?

Apesar de ser reformado, não estou inválido. Fui convidado pelo senhor secretário para este serviço e entendi aceitar. Sou um técnico de saúde pública e é uma área na qual trabalhei muitos anos e na qual tenho alguma experiência. E o senhor secretário fez-me sentir a necessidade de relacionar os diversos delegados de saúde e haver uma interligação com a tutela.

Sendo um cargo novo, o que pretende implementar agora nestas funções?

Esta é uma comissão de serviço e o que está estipulado como competências do coordenador regional de saúde pública é: emitir parecer, apoiar e coordenar as actividades das autoridades concelhias, elaborar até 15 de Março um relatório anual de análise epidemiológica do estado sanitário da Região, das actividades desenvolvidas, dar parecer até 30 de Novembro de cada ano sobre os planos de actividades das autoridades de saúde concelhias para o ano seguinte e promover a articulação e cooperação eficiente entre as autoridades de saúde e os demais serviços do Serviço Regional de Saúde, bem como entidades externas. Além disso, temos de avaliar as necessidades de formação dos diversos grupos profissionais das delegações de saúde da Região que, aliás, estão já a ser auscultados, de modo a que se possa propor planos de formação.

O que traz de novo este relatório anual do estado sanitário da região?

Sempre existiram relatórios, mas nunca foram tomados em consideração. Vamos promover uma reunião com todas as autoridades de saúde na segunda-feira, onde será abordada entre outros assuntos, a elaboração de planos de actividades. O planeamento visa encontrar pontos em comum e consensuais, em que há objectivos e actividades, face às políticas adoptadas, de modo a haver uma intervenção rápida sempre que for necessária. Na primeira fase, vamos fazer vigilância epidemiológica, de maneira a que haja uma rapidez de respostas. E estamos a tratar também que o SISARD - o sistema de informação saúde açores digital também seja aplicado à Saúde Pública, porque sem informação não há estatística, não há vigilância, nem rapidez de resposta.

Este trabalho estatístico já é feito ou será uma novidade?

A Região já faz, embora de forma dispersa, através do Centro de Saúde e das delegações de saúde. Há que haver um sistema de informação unificado e que permita acesso imediato, para poderem agir rapidamente.

Um dos pontos negativos apontado à Saúde Pública na Região é a falta de meios. O que é preciso melhorar?

Nós vamos discutir isso na próxima reunião e, portanto, vamos acertar as carências detectadas. Acima de tudo, interessa que haja uniformidade de procedimentos e que haja um relacionamento entre todas as autoridades de saúde e servir de elo de ligação com a tutela e as diversas autoridades de saúde concelhias, bem como outras entidades.

Já foi delegado de saúde durante muitos anos na Praia da Vitória, com certeza saberá o que faz falta nestes serviços...

Penso que a uniformidade de procedimentos é importante e que cada delegado de saúde sinta que está apoiado junto à tutela. Penso que é um ponto importante. Normalmente, os delegados de saúde sentem falta de apoio que poderá ter a ver com o tipo de médico, técnico que está à frente das delegações de saúde. Alguns dos médicos escolhidos são de saúde pública, outros não são. A Região assim o permite. E naturalmente um clínico geral tem mais carências, em termos de legislação, que um médico de saúde pública. E, penso que a carência em relação à legislação, pode criar uma certa inferioridade.

São conhecidas as críticas não só de médicos de saúde pública, como da Ordem dos Médicos, ao desaproveitamento dos especialistas em Saúde Pública para delegados de saúde. Tal como impõe a legislação, considera que deverá ser dada prioridade a estes médicos na função de delegado de saúde?

Não é obrigatório que seja médico de Saúde Pública...

Leia esta notícia na íntegra no jornal Açoriano Oriental de Domingo,
Dia 30 de Maio de 2010


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