Ordens profissionais avaliam cuidados intensivos do Hospital da ilha Terceira

Ordens profissionais avaliam cuidados intensivos do Hospital da ilha Terceira

 

Lusa/AO Online   Regional   18 de Dez de 2014, 19:05

As ordens dos enfermeiros e dos médicos estão a averiguar as queixas feitas no início do ano sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos do Hospital da Ilha Terceira.

Os representantes regionais das duas ordens foram convocados para audições na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos Açores, no âmbito de um requerimento do CDS-PP sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira.

O representante da Ordem dos Médicos explicou por escrito os motivos que o levaram a não comparecer, hoje, na comissão e o representante da Ordem dos Enfermeiros foi ouvido, em Angra do Heroísmo, mas acrescentou pouco de novo.

Em causa está um abaixo-assinado dos enfermeiros da unidade de cuidados intensivos entregue, em fevereiro, à administração do hospital, e divulgado pela comunicação social local no início de outubro, em que é denunciada "falta de rigor técnico-científico" e de "princípios éticos e deontológicos" e "redução do investimento terapêutico", entre outras queixas.

Na comunicação, enviada ao presidente da comissão dois dias antes da audição, o representante da Ordem dos Médicos nos Açores, Jorge Santos, justificou a sua recusa com o facto de o processo estar a ser avaliado pelo conselho disciplinar e pelo colégio da especialidade da secção regional do sul da Ordem dos Médicos, acrescentando que uma delegação da ordem viria à Região em janeiro.

Por sua vez, o representante regional da Ordem dos Enfermeiros, Tiago Lopes, aceitou ser ouvido pelos deputados, mas sempre que as questões foram específicas sobre o funcionamento da unidade de cuidados intensivos respondeu de forma semelhante, alegando que está a decorrer um processo interno no conselho jurisdicional regional da ordem.

Esse processo é feito, segundo Tiago Lopes, com base no relatório do inquérito interno realizado no hospital, a pedido da secretaria regional da Saúde, e com base numa visita que a Ordem dos Enfermeiros realizou à unidade de cuidados intensivos a 14 de outubro deste ano.

Em declarações aos jornalistas, o representante da Ordem dos Enfermeiros explicou que não podia revelar detalhes sobre a visita de acompanhamento à unidade de cuidados intensivos por "dever de sigilo".

Tiago Lopes não adiantou uma data para a conclusão do processo realizado pela Ordem dos Enfermeiros, alegando que será necessário ouvir "todas as partes" e que as diligências terão de ser feitas "de forma concertada", porque decorre em simultâneo um processo no Ministério Público.

Na audição, o representante da Ordem dos Enfermeiros disse que solicitou, em fevereiro e em abril, uma visita à unidade de saúde, para acompanhar o funcionamento do bloco operatório, e que na primeira vez o pedido foi adiado e na segunda não obteve resposta.

O deputado do CDS-PP questionou ainda o representante da Ordem dos Enfermeiros sobre um alegado processo disciplinar instaurado pela administração do hospital à enfermeira chefe da unidade de cuidados intensivos, mas Tiago Lopes disse desconhecer esse procedimento.

Decorreu também hoje, em Angra do Heroísmo, na Comissão de Assuntos Sociais, a audição prévia da presidente indigitada do conselho de administração do Hospital da Ilha Terceira, Paula Moniz.

Esta foi a primeira vez que alguém indicado para uma empresa com mais de 50% de participação do Governo Regional foi ouvido previamente à sua nomeação, no âmbito de uma legislação nova aprovada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Os deputados do PS, PSD e CDS questionaram a presidente indigitada sobre os problemas na unidade de cuidados intensivos, o financiamento do hospital, as listas de espera, as convenções com privados e a instalação de uma unidade de radioterapia, entre outros assuntos, mas Paula Moniz explicou que a sua primeira prioridade era "conhecer diretamente a realidade do hospital", por isso não quis pronunciar-se sobre questões particulares.

Em resposta ao deputado do CDS-PP, assegurou que quando trabalhava na banca nunca participou numa operação financeira relacionada com o Hospital da Ilha Terceira.


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