Oposição no Zimbabué diz-se "ignorada" por Portugal


 

Lusa/AO online   Internacional   7 de Dez de 2007, 16:19

O Movimento para a Mudança Democrática (MDC), principal partido da oposição do Zimbabué, diz-se ignorado pela presidência portuguesa da União Europeia, que acusa de recusar ouvir os seus argumentos sobre a situação no país.
      Eliphas Mukonowishulo, secretário para as relações internacionais da facção do MDC afecta ao líder histórico Morgan Tsvangirai, que se encontra em Lisboa para encontros diplomáticos à margem da Cimeira União Europeia/África, disse hoje à Lusa que os membros da oposição zimbabueana foram já por quatro vezes, sem sucesso, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

    "Disseram sempre que estavam muito ocupados e que nos ligavam depois, apesar de termos indicado sempre que o nosso pedido era urgente. Perguntamo-nos se estarão a evitar falar connosco", disse o político zimbabueano.

    "Estamos muito desiludidos" com a falta de resposta encontrada no Palácio das Necessidades, confessa o político, acompanhado por membros da facção do MDC afecta a Arthur Mutambara em Lisboa, para alertar a "comunidade internacional de que as conversações internas [apadrinhadas pelo presidente sul-africano Thabo Mbeki] não estão a funcionar".

    "Parece haver pouco interesse [junto da presidência portuguesa da UE] em saber o que a oposição do MDC tem a dizer, e mais interesse em ouvir o senhor Mugabe [presidente do Zimbabué, que já está em Lisboa para participar na Cimeira] e o que Mbeki diz sobre a situação no Zimbabué", afirmou à Lusa.

    "Vamos tentar novamente [ser ouvidos no MNE] amanhã [sábado] de manhã. Acho que não vai ser útil, mas será uma última tentativa porque vamos embora no domingo", adianta.

    A Agência Lusa contactou o MNE, mas ainda não obteve resposta às acusações do MDC.

    Nqozibitha Milo, secretário-geral da outra facção do MDC, afecta a Arthur Mutambara, disse à Lusa que a missão da oposição zimbabueana foi recebida pelos embaixadores da Bélgica, Reino Unido e Suécia, e que está a entar também uma audiência junto do representante da Irlanda.

    "Os embaixadores foram receptivos, tiveram interesse em saber o nosso lado da questão e tinham até algum conhecimento prévio da situação", disse à Lusa.

    Para Mukonowishulo, a falta de pressão da União Europeia sobre Harare pode colocar em perigo as negociações em curso entre o governo e a oposição, tendo em vista uma concilição que permita a realização de eleições presidenciais livres em Março de 2008.

    "Sem a nossa participação não há conversações, não há mediação possível. Para que as negociações funcionem tem de haver uma avaliação equilibrada", afirma.

    A Cimeira de Lisboa, considera, vai permitir a divulgação da posição de Mbeki acerca da situação no Zimbabué, que afirma ser "ilusória", e de esconder os casos de violência e falta de liberdade para a oposição.

    No próximo dia 15 de Dezembro, o MDC vai reunir-se para decidir "se vale a pena continuar as negociações, uma vez que o nosso 'input' não está a ser considerado".

    "Vamos ver o que vai acontecer, se virmos que nada está a evoluir vamos abandonar as reuniões", disse o secretário para as relações internacionais da facção do MDC afecta a Tsvangirai.

    Nqozibitha Milo frisa ser pré-condição à participação nas eleições presidenciais uma nova Constituição que reduza os poderes presidenciais, "que actualmente permitem que o chefe de Estado "possa acordar uma manhã e fazer o que lhe apetecer".

    Exigem ainda a reconstituição da Comissão Eleitoral, que acusa de estar a favorecer o partido de Mugabe ZANU-PF.

    Durante a Cimeira deverá ser divulgado o relatório de Mbeki sobre o andamento das negociações entre governo e oposição no Zimbabué, que ambas as facções do MDC consideram ser "desequilibrado", a favor do Presidente Mugabe.

    "Mbeki vai dar a imagem que está tudo bem, mas não é isso, e é isso que estamos aqui para dizer. Há violência, ele [Mugabe] não está a fazer aquilo com que se comprometeu, e não vai fazer se a comunidade internacional não o pressionar", afirmou

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.