OCDE defende salário mínimo mais baixo para jovens para facilitar entrada no mercado de trabalho

OCDE defende salário mínimo mais baixo para jovens para facilitar entrada no mercado de trabalho

 

Lusa/AO Online   Economia   6 de Mai de 2015, 19:28

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) defende um salário mínimo mais baixo para os jovens e um aumento salarial faseado conforme a idade, para facilitar a entrada dos mais novos no mercado de trabalho.

"Um nível mais baixo mas obrigatório do salário mínimo para os jovens pode ajudar a manter os níveis mínimos salariais ao mesmo tempo que serve de compensação a barreiras específicas que os mais novos enfrentam quando tentam entrar no mercado de trabalho", defende a OCDE num relatório divulgado hoje.

A organização afirma que "aumentar o salário mínimo de acordo com a idade e em várias fases evita grandes saltos nos custos de trabalho de um ano para o outro e ajuda a reduzir os riscos de os empregadores contratarem e despedirem com base na idade e na antiguidade".

A OCDE lembra que alterações no salário mínimo são mais sentidas "entre as mulheres e os jovens", sendo que um salário mínimo "demasiado baixo" pode levar a um "indesejável rendimento baixo para um grande número de trabalhadores" e um salário "demasiado alto" pode reduzir o espaço para "premiar os trabalhadores de acordo com a produtividade, levar à redução de postos de trabalho ou de horas de trabalho" para outros trabalhadores.

No entanto, a organização sedeada em Paris defende que "um aumento moderado [no salário mínimo] não causou perdas de trabalho significativas e que pode aumentar a produtividade dos trabalhadores".

Ainda assim, o emprego para os grupos em desvantagem, como os mais jovens e mulheres, "pode ser afetado” e alerta que “a redução dos postos de trabalho é mais provável quando os salários são altos no início e quando o mercado de trabalho está enfraquecido, ou seja, depois de períodos de crise".

No relatório divulgado hoje, a instituição liderada por Angel Gurría sublinha que "o salário mínimo só por si não é suficiente para reduzir a pobreza" e que "vários fatores", como a carga fiscal, podem reduzir a eficácia do salário mínimo nacional" nesta matéria.

Por um lado, a OCDE aponta que "um salário mínimo demasiado baixo pode ser simplesmente demasiado baixo para que as famílias saiam da pobreza" e por outro, recorda estudos que demonstram que a pobreza "é muitas vezes resultado de poucas horas de trabalho" e "menos devido a níveis baixos de salários".

Em Portugal, afirma a OCDE, um trabalhador a receber o salário mínimo e com dois filhos a cargo teria de trabalhar mais de 60 horas por semana para não cair abaixo do limiar de pobreza. A organização usa ainda dados de 2013, ou seja, tendo em consideração o salário mínimo nacional de 485 euros (que foi entretanto atualizado para 505 euros por mês).

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.