Observatório na ilha de São Miguel é montra da vulcanologia nos Açores

Observatório na ilha de São Miguel é montra da vulcanologia nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   30 de Mai de 2016, 08:28

Rochas, fósseis e minerais com milhares e milhões de anos podem ser apreciados, no Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, na ilha de São Miguel, instituição que também dá apoio a missões científicas internacionais no arquipélago.

 

“Relativamente às rochas dos Açores, a mais antiga que temos tem entre seis e oito milhões de anos e é da ilha de Santa Maria”, afirmou à agência Lusa o presidente da direção do observatório, Victor Hugo Forjaz, acrescentando que atualmente “a rocha mais valiosa é negra, não tem muita beleza, provém de um vulcão na Antártida e tem cerca de dois mil anos”.

O Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, que abriu em novembro de 2004 na cidade da Lagoa, foi criado com o propósito de promover atividades didáticas na área da vulcanologia, sismologia e geotermia junto dos estudantes e turistas.

Distribuído por dois pavilhões, com uma área total de 700 metros quadrados, dispõe, além de duas áreas de exposições, de um centro de documentação, sala para computadores, três gabinetes e um bar.

O vulcanólogo de 75 anos, que desde os 16 coleciona rochas, revelou que o seu sonho era ter uma rocha da Gronelândia, com cerca de dois mil milhões de anos, “uma raridade” para enriquecer a coleção exposta no observatório.

Segundo Victor Hugo Forjaz, este centro de ciência recebe uma média mensal de 600 visitantes.

O período da manhã está reservado para visitas de alunos e à tarde, a partir das 14:30, o espaço abre ao restante público. As visitas são guiadas para que “todos percebam o que estão a ver”.

Entre as muitas curiosidades desde local está, por exemplo, a possibilidade de os visitantes adquirirem rochas dos Açores por “preços simbólicos”.

“Há pessoas que colecionam rochas, como colecionam selos ou outras coisas, e quem não conseguir pagar também aceitamos troca de rochas”, referiu.

Além das rochas, o observatório tem áreas dedicadas à mineralogia, fósseis e uma galeria de arte, onde estão expostas algumas pinturas de artistas regionais, para dar a conhecer o que foram algumas erupções vulcânicas históricas nas ilhas.

Victor Hugo Forjaz adiantou ainda que a associação científica, técnica, cultural sem fins lucrativos é também responsável pela publicação, até agora, de 61 livros.

“Em breve” será publicado um novo livro, com 130 páginas, “dedicado à história do vulcão das Sete Cidades, da génese até à atualidade”.

O responsável recordou que o observatório “já esteve quase condenado à extinção”, mas com a ajuda do Governo Regional, que anualmente atribui 70 mil euros, foi possível manter em atividade um projeto lançado por várias pessoas e que tem, atualmente, quatro colaboradores em permanência.

Além das funções pedagógicas, o observatório presta funções de apoio a missões científicas e de controlo de equipamentos internacionais, como é o caso de uma máquina chinesa que serve para medir a maré da ilha.

“Esperamos dentro de dias por uma missão russa, que vem estudar rochas dragadas e está devidamente autorizada. Estamos também à espera de uma missão italiana, que já encontrou dois novos minerais [nos Açores] e que espera encontrar mais”, disse Victor Hugo Forjaz.

 

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