Obama põe fim a regime de isolamento para jovens reclusos

Obama põe fim a regime de isolamento para jovens reclusos

 

Lusa/AO Online   Internacional   26 de Jan de 2016, 05:10

O Presidente norte-americano anunciou, segunda-feira, o fim do regime de isolamento para jovens reclusos nas prisões federais, recordando o caso do adolescente que se suicidou após ter passado dois anos na solitária pelo roubo de uma mochila.

 

Barack Obama, que tenta reformar o sistema penitenciário norte-americano antes do final da sua presidência, quer reduzir o número de pessoas nas prisões, cortar o recurso ao regime de isolamento e acabar com as penas mínimas obrigatórias.

Num artigo de opinião no jornal The Washington Post, o Presidente defendeu que o recurso ao isolamento para reclusos jovens é usado com demasiada frequência e pode ter terríveis efeitos psicológicos.

Obama anunciou uma série de ações executivas que também proíbem que os guardas prisionais coloquem reclusos responsáveis por “infrações menores” na solitária.

Estas reformas devem afetar cerca de 10 mil reclusos e o Presidente disse esperar que sirvam de modelo para os diferentes estados do país.

“Como é que podemos sujeitar os reclusos a um regime de isolamento desnecessário, sabendo dos seus efeitos, e depois esperar que eles regressem à comunidade como cidadãos plenos?”, escreveu.

“Isto não nos torna mais seguros. Afronta a nossa humanidade”, acrescentou.

O artigo de Obama, intitulado “Porque é que temos de repensar o regime de isolamento”, começa por recordar o caso de Kalief Browder, que em 2010, aos 16 anos, foi acusado de roubar uma mochila e enviado para o complexo prisional de Rikers Island, em Nova Iorque, para aguardar julgamento.

“Tudo indica que enfrentou indescritível violência às mãos de reclusos e guardas, e passou quase dois anos em regime de isolamento”, escreveu Obama.

Browder foi libertado em 2013, mas não foi capaz de lidar com o trauma de ter passado 23 horas por dia fechado num quarto sozinho e suicidou-se aos 22 anos.

“O regime de isolamento ganhou popularidade nos Estados Unidos no início do século XIX e os motivos para o seu uso mudaram ao longo do tempo. Hoje, é cada vez mais usado em pessoas como Kalief, com terríveis resultados, e é por isso que a minha administração está a tomar passos para resolver este problema”, escreveu Obama.


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