Novas medidas "agradam" grupos económicos mas penalizam as famílias


 

Lusa/AO Online   Economia   7 de Out de 2011, 10:39

O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos considera que a reestruturação do setor dos transportes "agrada" os grandes grupos económicos mas penaliza as famílias e o desenvolvimento económico do país.

Carlos Braga, porta-voz do Movimento, disse à Lusa que, “se se confirmar” um novo aumento do preço dos transportes públicos, será um “aumento brutal nunca verificado após o 25 de abril”, pelo que terá de “ser pensada uma resposta adequada”, sugerindo manifestações dos utentes “nos transportes e na rua”.

O jornal Sol avançou hoje que o Governo de coligação PSD/CDS vai efetuar um “corte drástico” no setor dos transportes, incluindo a fusão de várias empresas do setor, um novo aumento de 10 por cento nos preços ainda este ano, seguido de nova atualização em janeiro. O executivo prevê a fusão da Carris com o Metro de Lisboa, da STCP com o Metro do Porto e das duas empresas de transporte fluvial em Lisboa, a Soflusa e a Transtejo.

Quanto às fusões – Carris e Metro de Lisboa; Soflusa e Transtejo; STCP e Metro do Porto -, Carlos Braga entende que se estão a “criar condições para entregar o setor público dos transportes aos grandes grupos privados”, uma vez que o que se pretende é "concessionar aos privados as linhas mais rentáveis".

De acordo com o Sol, serão também desativados 450 quilómetros de linhas ferroviárias, o equivalente a cerca de 20 por cento do total das ferrovias atuais, medida que Carlos Braga considera que «vai “acentuar as assimetrias regionais”, penalizando as ligações entre as regiões e a mobilidade das populações.

Para Carlos Braga, neste momento, seriam necessárias medidas que "privilegiassem o desenvolvimento económico, que criassem mais emprego e que reduzissem as dificuldades das pessoas em se deslocarem".

Pelo contrário, as medidas anunciadas no Plano Estratégico dos Transportes "vão contra os objetivos do país, que são o desenvolvimento económico, a criação de emprego e a melhoria da qualidade de vida e das condições sociais das famílias", defende.

O PET prevê também a extinção do Instituto das Infra-Estruturas Rodoviárias, do Instituto da Mobilidade e dos Transporte Terrestres e do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos que vão dar lugar a um novo organismo.

O plano determina que já este mês serão sujeitas a portagem as SCUT – vias sem custo para o utilizador e que a construção do novo aeroporto de Lisboa será adiada, transferindo-se o tráfego das companhias de baixo custo para outro aeroporto de Lisboa.

Segundo o semanário, este plano permite "salvar 17.500 postos de trabalho e reduzir o endividamento de 16,8 mil milhões do setor".


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