Nordeste

Nordeste merece o mesmo tratamento do que qualquer concelho da Região

Nordeste merece o mesmo tratamento do que qualquer concelho da Região

 

Cristina Pires/ Ana Paula Fonseca   Regional   17 de Set de 2017, 15:55

António Soares. Candidato do PSD à Câmara do Nordeste diz que não se envergonha do passado quando o partido estava na liderança da autarquia. Promete ser um presidente do povo e não sentado num pedestal. Projeta abrir as piscinas municipais


Porque se candidata?
Aceitei o desafio de liderar o projeto pelo Partido Social Democrata nesta candidatura porque senti da população uma grande vontade de alterar o rumo que o Nordeste teve durante estes quatro anos. Sou candidato porque acredito que é possível fazer mais e melhor pelo Nordeste. Noto que, para além dos nordestenses, acabo por ter apoio de militantes de outras forças partidárias. Cresci e vivo no Nordeste e tenho o Nordeste na alma e no coração. Todos sabem que sou uma pessoa do povo.
Abraçou este desafio pela sua experiência autárquica, uma vez que desempenha as funções de presidente de junta de freguesia?
Sim, porque acho que é um projeto desafiante. Tenho experiência autárquica há 16 anos e estou muito habituado a lidar com o povo, conheço a realidade dos nordestenses e as dificuldades que estão a passar. A minha candidatura é, essencialmente, para ajudar a população.
As juntas de freguesia do PSD têm criticado a atual gestão camarária, dizendo que são discriminadas em relação às do PS. Partilha desta crítica?
Partilho claramente. Aliás, não são só as juntas de freguesia. As pessoas que não concordam com o rumo que o concelho está a tomar acabam por ser alvo de ameaças, represálias e as juntas de freguesia também. (…) A câmara tem colaborado com a cedência de pessoal para outras freguesias e as do PSD também gostariam de ter o mesmo direito.
Qual o perfil dos candidatos da sua lista?
Ao contrário daquilo que o Partido Socialista refere, a nossa equipa é formada por gente capaz e com provas dadas. O segundo candidato é o senhor Luís Jorge Fernandes. É um homem que esteve à frente dos destinos da junta de freguesia do Nordeste e que tem desempenhado um excelente papel como autarca. Está envolvido em algumas associações de cariz social, tem-se dedicado à sua terra e conhece os problemas do concelho.
A situação financeira da autarquia é por todos conhecida. A dívida é na ordem dos 20 milhões de euros. O atual executivo diz que reduziu o passivo em 16 milhões de euros. Esta é uma situação que o preocupa?
Não me preocupa porque, ao contrário daquilo que o candidato do PS referiu - e diz sempre aquilo que mais lhe interessa - na entrevista a este jornal, não compreendo qual é o motivo que compara o ano de 2012 . Se ele foi eleito no dia 20 de outubro de 2013, eu acho que aquilo que deveria referir era a partir desta altura. Referiu que pagou 17 milhões, mas não considero que indo para a insolvência, como foi o caso das piscinas municipais, seja um pagamento. Os nordestenses têm de ser esclarecidos em relação às contas da autarquia.
No caso das piscinas, o que teria feito?
O que teria e vou fazer, porque acredito que os nordestenses vão valorizar o esforço e a equipa, é abrir as piscinas municipais, aproveitando o seu magnífico espaço para integrar a Biblioteca Municipal que deve estar concentrada na vila; aproveitar também outros espaços para abrir um ginásio e um centro de informática. A abertura das piscinas municipais levará também, como está previsto, à criação de postos de trabalho.
Temos de arranjar uma solução para o edifício das piscinas municipais. Está numa zona nobre da vila e já estamos a fazer alguns contactos com a Caixa Geral de Depósitos para equacionar toda esta possibilidade.
A situação financeira do município foi uma herança do executivo liderado por José Carlos Carreiro, do PSD. Em 2012 a dívida da autarquia era superior a 37 milhões de euros. Como nordestense e agora como candidato pelo mesmo partido, como encara esta realidade?
Reafirmo que não tenho responsabilidades perante o anterior executivo. No entanto, não me envergonho, como militante do Partido Social Democrata, daquilo que foi feito porque o candidato do Partido Socialista verifica o concelho a duas cores: o lado negro, que era o anterior executivo e o lado rosa, que tudo parece bem. O anterior executivo fez muito bom trabalho no Nordeste. Houve coisas menos conseguidas e, infelizmente, acontece com todos e isso também vem de uma crise internacional que afetou o país e que criou esta dificuldade. No entanto, o anterior executivo deixou a casa arrumada, ao contrário do que é afirmado, porque realizou o Plano de Reequilíbrio Financeiro, liquidando todas as dividas aos fornecedores, ficando a câmara com margem de manobra para continuar o desenvolvimento no Nordeste, não só pela redução dos encargos mensais, que foram diluídos por vários anos, mas também contando com as suas receitas próprias e com os 11 milhões que cabem ao concelho dos fundos comunitários 2020.
Que avaliação faz da forma como o atual executivo lidou com o problema da dívida?
O atual executivo limitou-se a cumprir as prestações do Plano de Reequilíbrio Financeiro. Reduziu alguns serviços e o pagamento de horas, que não concordo porque os trabalhadores da câmara se estão a trabalhar têm de o receber. Noto também que este executivo tem-se aproveitado dos programas sociais para trabalho voluntário forçado.
Este executivo recebeu do anterior executivo cerca de dois milhões de euros e limitou-se a pô-lo no banco por falta de ideias e projetos.
Se for eleito, o reequilíbrio financeiro será um ponto de ordem?
Tem que haver transparência. Qualquer executivo que esteja à frente dos destinos da Câmara do Nordeste tem de cumprir rigorosamente a lei. Acho perfeitamente natural que assim o seja.
Falando do projeto que idealizou para o concelho nos próximos quatro anos, o que define como prioridades?
A maior prioridade é a reabilitação da Foz da Ribeira. Já foi prometida pelo Governo Regional dos Açores, e comigo à frente dos destinos do Nordeste, eu vou reivindicar e estarei disponível a colaborar com o Governo para o bem e desenvolvimento do Nordeste.
Julgo que os nordestenses são pessoas que merecem o mesmo tratamento do que em qualquer concelho da Região e, como se vê, todos os concelhos acabam por ter uma zona balnear condigna para os residentes e para quem nos visita. O turista para além de ficar maravilhado com a nossa beleza, com a nossa montanha, também acaba por querer estar à beira-mar. É uma zona lindíssima que tem estado ao abandono, e as condições são péssimas.
Em que medida a autarquia pode contribuir para a dinamização da economia local, para a criação de riqueza e de emprego, nomeadamente no setor do turismo?
As propostas que nós temos para o turismo é realizar a Feira Gastronómica. Uma feira condigna e não aquilo que temos verificado, mal organizada.
Voltar aos cortejos etnográficos porque quem vem acaba por conhecer a nossa cultura, envolvendo todas as instituições neste sentido.
Manter e conservar os trilhos pedestres. Alguns trilhos andam ao abandono e as juntas de freguesia com os seus poucos recursos, acabam por proceder à manutenção e limpeza. (…)
Ao nível dos serviços de apoio ao turismo, nomeadamente a restauração, o concelho está bem servido?
O Nordeste está num bom caminho, mas necessita de um grande reforço. Proponho uma parceria entre a câmara e a restauração de maneira a que possamos colaborar com alguma formação, incentivar para a participação na feira gastronómica, na evolução em algum serviço e na alteração na oferta. O turista quando vem ao Nordeste quer comer comida típica, como o capão e os enchidos. Vamos criar uma dinâmica totalmente diferente em que os empresários, com a nossa colaboração, vão perceber que têm de evoluir, porque para além do bom serviço que estão a prestar têm de perceber que, com os eventos que pretendemos realizar para promover o Nordeste e ajudar os nossos comerciantes, vão ter que evoluir. Estamos a preparar um projeto realista em que as pessoas percebam e acreditem numa palavra dada.
Que outras áreas precisam de ser impulsionadas?
A área social. Vamos apostar em todos os programas que o Governo Regional dispõe. Verifico também que existe falta de habitação e de apoio à habitação. A falta de emprego faz com que as próprias famílias não possam investir. Temos algumas medidas neste sentido. Há que fixar as famílias no Nordeste, o que não tem acontecido. Há muita gente a emigrar, o que me entristece.
Como pretende combater esta desertificação?
Temos uma medida que faz parte do nosso projeto, como a criação de um protocolo para colaborar no arrendamento, fazendo com que as famílias fiquem no Nordeste e acabamos por aliviar o seu orçamento mensal.
No contacto que tem tido com a população, que dificuldades lhe apresenta?
Uma das maiores preocupações é o emprego. Para além disso, é a desilusão das pessoas, porque os programas são importantes mas são provisórios.
Se vencer as eleições, qual será a sua primeira medida?
A minha primeira medida será reunir de imediato, com todas as instituições e forças políticas do concelho, para criar um plano de união. Vou ouvir todas as opiniões. Vou ser o presidente que vai estar sempre ao lado do povo. (…)
O presidente da câmara do Nordeste disse em entrevista à Rádio Açores/TSF que os nordestenses não estão numa situação de fazer experimentalismos. Como reage a esta crítica?
Esta crítica dá-me vontade de rir. Não percebo. Acabo por entender que isto seja realmente o receio que ele tem de que está a aproximar-se a hora da verdade, porque os nordestenses são pessoas sérias e não se esquecem daquilo que se passou neste mandato. Faço a pergunta: Há quatro anos qual era a experiência que ele tinha? Qual era a experiência da equipa que ele levou consigo?
E qual é a experiência da sua equipa?
Tenho dois autarcas que têm estado constantemente a trabalhar para o povo. Não precisamos de ninguém de pedestal. Precisamos de uma pessoa presente no dia a dia dos nordestenses.


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