Natal luso-venezuelano, uma mistura de tradições dos dois países

Natal luso-venezuelano, uma mistura de tradições dos dois países

 

Lusa/AO Online   Internacional   24 de Dez de 2015, 14:36

O Natal é, para os luso-venezuelanos, uma mistura de saudade com as tradições religiosas, culturais e gastronómicas de Portugal e da Venezuela, uma época que a convivência serve para "diminuir" a distância entre os que vivem em ambos lados do Atlântico.

 

"O Natal nunca é igual porque estamos longe da família, mas tentamos diminuir a distância fazendo algumas coisas típicas de Portugal, juntamo-nos (vários amigos) num Natal diferente e apanhamos um pouco de cada cultura", diz João Pedro Sousa à Agência Lusa.

Com 31 anos de idade e natural de Amarante, Porto, João Pedro Sousa emigrou recentemente para Caracas, há pouco mais de dois anos, onde é diretor executivo do Jascon Group, um grupo dedicado à consultadoria e assessoria à internacionalização de empresas portuguesas para os mercados da América Latina e Caraíbas.

Em declarações à Agência Lusa explicou que da ementa de Natal, fará parte os filhós e bolinhos de jerimu. Mas este ano não vai haver “bacalhau porque aqui não existe a oferta que existe em Portugal".

Diz já estar "totalmente habituado à cultura venezuelana" e por isso incluirá "a tradicional 'hayaca' (massa de milho recheada com carne de vaca, porco e frango que é envolvida e cozida numa folha de plátano) e o doce de papaia".

"Vou à missa com frequência e irei à missa na noite de Natal porque isso faz ainda mais diminuir a distâncias, porque tem o mesmo ritmo que em Portugal. Até emigrar sempre passei o Natal com a minha família, uma família tradicional portuguesa em que é normal passar toda a gente junta. Como estou longe torna-se um pouco complicado viajar com frequência a Portugal e nestas épocas festivas mais ainda", frisou.

Já o luso-descendente Manuel Teixeira, 23 anos, considera que o Natal mistura "a alegria e o calor do trópico com a saudade do mar e do frio de Portugal, das terras do norte da Madeira", onde o pai nasceu.

"Aqui, as pessoas jantam em família na noite de Natal, mas pensam mais na diversão, em sair depois para beber uns copos com os amigos. Isso é agradável mas estranho as visitas que fiz à Madeira, a ornamentação do Natal, o frio, a 'poncha' de aguardente, e o modo mais sério, de mais reflexão de lá", explicou.

Da ementa de Natal, explicou, fará parte "o vinho tinto português, as rabanadas, o bolo de mel, a carne de vinho e alhos, e talvez o bacalhau porque não se consegue" e pelo lado venezuelano "o pernil de porco assado, o pão de fiambre, a salada de galinha", entre outras coisas.

Segundo a doméstica Maria da Trindade de Freitas, "a pesar das dificuldades (crise económica e política venezuelana) desde há várias semanas que já cheira a Natal" pois "tudo começa com os preparativos para fazer o presépio", uma ação em que participam "acaloradamente" os seus três netos e duas filhas.

"É preciso procurar os bonecos, remover das caixas, limpar o pó, pintar o papel, semear o trigo e conseguir um galho de árvore e isso cria um ambiente de Natal depois é preciso procurar os ingredientes para os bolos, as broas e pensar na ementa", frisou.

Por outro lado explicou que este ano preparará um "assado negro", uma receita venezuelana de carne de vaca assada com um molho escuro.

Também que "já pediu ao 'carnicero' (homem do talho) que lhe reserve umas boas carnes para preparar com vinho e alhos".


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