Missão espacial que vai estudar o lado escuro do Universo passou nos testes e tem portugueses


 

Lusa/AO online   Ciência   17 de Dez de 2015, 17:20

A missão espacial europeia que vai estudar o lado escuro e invisível do Universo, com participação portuguesa, passou nos testes preliminares, anunciaram a agência espacial europeia ESA e o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA).

 

Em comunicado, o IA informa que a missão Euclid, com lançamento previsto para dezembro de 2020, "passou com sucesso a rigorosa avaliação do seu projeto preliminar", no qual está envolvida uma equipa de quatro investigadores do instituto português.

Segundo o IA, o projeto preliminar "comprovou que a missão conseguirá produzir a enorme quantidade de dados proposta".

O cocoordenador nacional da missão, Ismael Tereno, explica, citado na nota, que a sua equipa conseguiu demonstrar que "é possível, nos seis anos de operação da missão, rastrear mais de um terço do céu, obtendo dados astronómicos com a qualidade adequada ao sucesso dos objetivos científicos, obedecendo a todos os constrangimentos da nave, às características dos instrumentos e às suas calibrações".

Os investigadores portugueses elaboraram "uma das componentes centrais do projeto", ao desenvolverem os algoritmos necessários para a "análise de cenários de mapeamento do céu", adianta João Dinis, um dos membros da equipa nacional.

A missão Euclid vai realizar, através de um telescópio de 1,2 metros de diâmetro, um levantamento de 40 por cento do céu, "com detalhe sem precedentes", permitindo aos cientistas detetarem cerca de dois mil milhões de galáxias, que "servirão para mapear a distribuição da energia e da matéria escuras".

A energia escura, esclarece o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, "é uma misteriosa força que se opõe à atração gravitacional e que provoca a expansão acelerada do Universo", correspondendo a 73 por cento da composição do Universo.

A matéria escura "não emite nem absorve radiação em qualquer parte do espetro eletromagnético" e, apesar de não poder ser captada diretamente por telescópios, "a sua gravidade provoca efeitos detetáveis na matéria visível".

Enquanto a matéria escura constituirá cerca de 23 por cento do Universo, a matéria visível apenas quatro por cento.

A missão Euclid foi proposta à ESA, em 2007, por um consórcio de investigadores liderado por Yannick Mellier, do Instituto de Astrofísica de Paris. Atualmente, fazem parte do consórcio mais de mil membros provenientes de 15 países, incluindo Portugal.

Há três anos, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, entidade pública que subsidia a investigação em Portugal, assinou um acordo com o consórcio Euclid, sendo a participação nacional coordenada pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.


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