Ministério Público pede prisão efetiva para ex-gerente de banco nos Açores

Ministério Público pede prisão efetiva para ex-gerente de banco nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   16 de Mar de 2016, 13:23

O Ministério Público (MP) pediu uma pena de prisão efetiva para a ex-subgerente de um banco, em Rabo de Peixe, nos Açores, acusada de ter desviado durante anos dinheiro de contas dos clientes.

 

Durante as alegações finais, que decorreram no Tribunal Judicial de Ponta Delgada, o procurador da República não concretizou a pena de prisão efetiva defendida para a mulher - ausente durante todas as sessões do julgamento -, mas frisou que os factos, “no essencial, se devem dar como provados”.

“O caso iniciou-se com uma queixa de uma filha de uma cliente do banco em Fall River (Estados Unidos da América)”, com base em alegadas “operações não autorizadas”, segundo o magistrado do MP, para quem as transações e movimentos entre contas, supostamente efetuadas pela arguida, foram “facilitadas” devido à “simpatia e confiança” que os clientes depositavam na ex-subgerente.

O procurador lamentou, ainda, que a arguida não tenha comparecido no julgamento, "onde podia, ao menos, tentar [dar] uma justificação".

A ex-subgerente do balcão do Banif (atual Santander) de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, está acusada dos crimes de burla qualificada, burla informática e falsificação de documento, todos na forma continuada.

A acusação descreve vários episódios e operações de levantamento “executadas pela arguida”, que terá conseguido "colocar à sua disposição" quantias que pertenciam aos clientes.

Além de dois pedidos de indemnização feitos por clientes, há ainda um outro pedido de 122 mil euros do antigo Banif.

O advogado da arguida lamentou "nunca" ter falado com a sua cliente, porque esta "nunca o contactou e não a conhece", mas pediu a absolvição da mulher, alegando que, “em nenhum momento, se provou” que aquela “tenha ficado com o dinheiro” dos clientes, embora “tenha ficado provado que cometeu alguns ilícitos de gestão bancária”.

“Não conheço a senhora, mas isto que se passou aqui é inédito. O grande responsável é o Banif. Foi a instituição que criou todas as situações. Não houve uma comissão capaz de averiguar. Não houve uma inspeção rigorosa que deveria ter havido", sustentou o advogado oficioso, para quem "os factos concretos referem-se a documentos que serviram de levantamento e depósito dos clientes".

O advogado disse, ainda, que o facto de a arguida "ajudar a preencher os cheques" aos clientes que “o não sabiam fazer não implica que ficava com o dinheiro” e criticou os clientes supostamente lesados de não se terem apercebido que tinham "dinheiro a mais" na conta, mas quando eram quantias “a menos aperceberam-se".

“Ninguém conseguiu provar aqui que esta senhora alguma vez ficou com o dinheiro para si e o Banif é o único responsável por tudo isto e não criou nenhuma comissão para averiguar o que tinha efetivamente acontecido", disse.

O advogado do Banif defendeu que a mulher deve ser condenada e que deve ser dado provimento ao pedido de indemnização apresentado pela instituição bancária, alegando que o banco “ressarciu, em grande parte, os lesados”.

A leitura do acórdão ficou marcada para 04 de abril, pelas 09:15 locais (mais uma hora em Lisboa).


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.