Metade dos alunos do 9º ano sabe menos de Inglês do que o exigido no 7º ano

Metade dos alunos do 9º ano sabe menos de Inglês do que o exigido no 7º ano

 

Lusa/AO online   Nacional   11 de Jul de 2014, 18:12

Quase metade dos alunos do 9.º ano que fizeram o teste de inglês 'Key for schools' demonstraram ter conhecimentos da língua inferiores aos exigidos no 7.º ano, segundo dados do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).

 

Apenas um em cada quatro estudantes do 9.º ano – para quem a prova foi obrigatória - teve uma nota correspondente ao seu nível de ensino (B1) no teste "Key for schools", realizado pelo "Cambridge English Language Assessment", revelou hoje o presidente do IAVE, Hélder de Sousa.

O teste foi desenhado de forma a permitir perceber o nível de conhecimentos dos alunos: os estudantes muito fracos ficam no primeiro nível (Pré-A1), e os que conseguem “usar linguagem simples, com ajuda” ficam no nível A1.

No final da apresentação e em declarações aos jornalistas, Hélder de Sousa apontou alguns números, dizendo que 47% dos alunos tinham tido resultados abaixo do esperado.

No entanto, os dados disponibilizados pelo seu gabinete mostram que as notas foram um pouco mais baixas: quase um em cada quatro alunos (24,3%) do 9.º ano ficou no nível Pré-A1 e 22,9% destes estudantes ficaram no A1.

“Com cinco anos de inglês, com a nossa marca curricular e a nossa carga horária, deveria permitir que o aluno chegasse ao B1”, admitiu Hélder de Sousa em declarações aos jornalistas.

No entanto, este foi o nível menos representativo entre os alunos do 9.º ano: só 21,1% atingiu este patamar, que representa um “utilizador independente que é capaz de comunicar sobre assuntos simples do quotidiano”.

O teste realizado no final de abril, por cerca de 101 mil alunos, foi desenhado para um nível A2, o que equivale, globalmente, aos conhecimentos definidos para os alunos no final do 7.º ano. Entre os alunos do 9.º ano, apenas 31,6% chegou a este nível.

Este teste era obrigatório para os alunos do 9.º ano e opcional para os estudantes com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos.

Os melhores resultados registaram-se precisamente entre os que ainda não estavam a frequentar o 9.º ano: 21,1% ficaram nos níveis Pré-A1 e A1; 42,2% ficaram no nível A2 e ao B1 chegaram 36,7% dos estudantes.

“Nós temos níveis preocupantes do domínio da língua inglesa no conjunto muito grande de alunos e isso significa que o modelo que tínhamos até 2011 tem agora de ser mudado”, reconheceu o ministro da Educação, Nuno Crato.

Para o ministro, os dados revelam “dois blocos de alunos": um de alunos que "teve a sorte" de ter tido inglês ao longo de cinco anos de escolaridade e por isso teve bons resultados e um outro que revelou dificuldades "porque no 1.º ciclo teve uma exposição parcelar ao inglês, porque no 2.º ciclo tinha um carácter muito variável e porque no 3.º ciclo uns terão tido inglês e outros não".

Helder de Sousa revelou ainda diferenças consoante as regiões do país, como a região do Tamega onde cerca de 40% dos alunos teve uma nota fraca e a zona de Grande Lisboa, Baixo Mondego, Grande Porto ou Setúbal com cerca de 20% dos alunos com nota fraca.

Recordando o gráfico apresentado pelo IAVE, Nuno Crato sublinhou a necessidade de alterar essa realidade: “Pretendemos que as regiões do país sejam mais homogéneas e para isso temos de introduzir bem o inglês no 1.º ciclo curricular e com professores formados para o efeito”.

No ano letivo de 2015/2016, o ensino do inglês deverá passar a ser obrigatório para os alunos a partir do 3.º ano de escolaridade.


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