Marisa Matias sem medo de apoiar Mélenchon em Paris

Marisa Matias sem medo de apoiar Mélenchon em Paris

 

Lusa/AO Online   Internacional   21 de Abr de 2017, 17:51

A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, disse hoje à Lusa que não tem medo de estar em Paris no último dia de campanha de Jean-Luc Mélenchon, horas depois do atentado terrorista nos Campos Elísios.

 

“Não [tenho medo]. Creio que devemos ter todo o respeito em relação às vítimas e obviamente é uma situação indefensável e o terrorismo tem estas coisas que é de provocar medo. Mas creio que a melhor resposta é continuar a vida, deixá-la decorrer tal como deve ser porque senão é uma vitória dos terroristas e não de quem procura combatê-los”, afirmou a eurodeputada.

Marisa Matias sublinhou esperar “que o medo não galope naquilo que é uma situação tão trágica como a que aconteceu ontem” e considerou ser “mais normal manter a agenda e obviamente ter uma palavra sobre o que se passou” em vez de cancelar as ações do último dia de campanha como fizeram outros candidatos presidenciais.

Depois de um almoço com o líder de A França Insubmissa e com o líder do partido espanhol Podemos, Pablo Iglesias, Marisa Matias contou à Lusa que, caso o candidato seja apurado este domingo, prometeu-lhe “voltar para a segunda volta para apoiá-lo”.

Marisa Matias acrescentou que “estas eleições têm importância não apenas para França mas para toda a Europa” e que há “uma janela de oportunidade” para o apuramento de Jean-Luc Mélenchon para a segunda volta de 07 de maio, ainda que esteja “tudo muito em aberto”.

“Eu creio que Jean-Luc Mélenchon seria a reposição dos valores democráticos e com um programa assente na justiça social e na justiça fiscal e com uma transição ecológica para o futuro”, afirmou, destacando a “excelente campanha” de A França Insubmissa “ao nível da auto-organização de eventos a partir das bases e a forma como foram utilizadas as redes sociais” e também o uso do holograma que “não substituiu a política de proximidade nesta campanha”.

A eurodeputada lembrou que tem trabalhado com Jean-Luc Mélenchon “há muito tempo” no Parlamento Europeu e disse que “há ligações estreitas entre o Bloco de Esquerda e o Parti de Gauche”.

“Temos muitas semelhanças do ponto de vista da resistência, do ponto de vista da oposição às instituições europeias, do ponto de vista da procura de uma nova Europa e, sobretudo, em termos nacionais do ponto de vista daquilo que é uma política económica e fiscal muito mais justa e que responda aos verdadeiros problemas das pessoas”, declarou.

Questionada sobre se o Bloco de Esquerdo é menos insubmisso que A França Insubmissa de Mélenchon - o qual recusou aliar-se ao Partido Socialista - a eurodeputada defendeu que não se pode fazer “comparações simples entre o que se passa em Portugal e o que se passa em França”.

“Em Portugal havia uma clara maioria social contra a maioria de direita que praticamente destruiu a economia do país e que fez aumentar a pobreza da forma como vimos e o desemprego. Essa clara maioria social tinha que ter tradução na política. Creio que o Bloco fez o que tinha de fazer para responder a esse apelo dessa maioria social descontente”, argumentou.

Marisa Matias considerou, ainda, que “em França todo o sistema político está em renovação” com “os candidatos que representam os partidos tradicionais - e tradicionalmente mais votados - em posições muito abaixo daquilo que seria o normal numa eleição presidencial”.

A eurodeputada insistiu que “é incomparável o que se vive em França e o que se vive em Portugal e isso não tem a ver com o nível de insubmissão”.

“Partilhamos seguramente muita da insubmissão”, concluiu a eurodeputada que ao final da tarde participa num “piquenique insubmisso” de Jean-Luc Mélenchon, em Paris, para marcar o fim da campanha eleitoral da primeira volta.

Relativamente ao atentado terrorista, uUm polícia foi morto e dois ficaram gravemente feridos na quinta-feira à noite, quando um homem disparou contra o veículo em que seguiam na avenida dos Campos Elísios, no centro de Paris.

O atacante foi morto por outros agentes da polícia francesa e um transeunte foi também atingido.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque, através de um comunicado divulgado pelo seu órgão de propaganda, a Amaq.

O ataque ocorreu a três dias da primeira volta das eleições presidenciais em França, em que a segurança é um dos temas em destaque, após vários ataques terroristas no país nos últimos anos.


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