Manutenção de troca de seringas nas farmácias será explicada no Parlamento em janeiro

Manutenção de troca de seringas nas farmácias será explicada no Parlamento em janeiro

 

Lusa/ AO online   Nacional   27 de Dez de 2012, 11:12

O programa de troca de seringas nas farmácias vai ter continuidade, apesar de só estar assegurado até final do ano, garantiu hoje o diretor para o programa VIH/Sida, que remeteu esclarecimentos para a sua audição no parlamento, em janeiro.

António Diniz, diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida, tutelado pela Direção-Geral de Saúde (DGS), reafirmou à Lusa que o programa de troca de seringas nas farmácias terá continuidade para lá de 2012, apesar de, por enquanto e oficialmente, só estar confirmada a sua manutenção até ao fim do ano.

Quanto aos pormenores relativos à continuidade do programa e sobre os moldes em que este vai passar a assentar, António Diniz afirmou que só os dará a conhecer na audição parlamentar pedida pelo Bloco de Esquerda, que está agendada para 09 de janeiro, às 11:00.

O vice-presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), parceira do ministério da Saúde no programa de troca de seringas, disse, em novembro, durante uma audição parlamentar, que o Governo teria que arranjar outro parceiro a partir do final de 2012, uma vez que associação não estava disponível para dar continuidade ao acordo nos moldes em que foi celebrado.

Apesar de o acordo com o Estado ter terminado no final do novembro, a ANF garantiu na altura estar em condições de assegurar a troca de seringas a toxicodependentes até ao final do ano graças ao material ainda em ‘stock’ nas farmácias.

Hoje, em declarações à Lusa, João Cordeiro, presidente da ANF sublinhou que “este é um programa que teve uma aceitação enorme, com o qual as farmácias estão disponíveis para continuar a colaborar, mas, evidentemente, noutros moldes”, até porque as condições hoje são “radicalmente diferentes” e, “neste momento, não há condições para o manter, nos moldes atuais”.

Adiantando que ainda não houve negociações sobre a continuidade do programa, João Cordeiro acrescentou que cabe ao ministério da Saúde “esclarecer quais as alternativas que vai implementar”.

Até aqui, cabia à ANF assegurar a gestão dos "kits", incluindo fazê-los chegar às organizações não-governamentais de apoio à toxicodependência e disponibilizá-los nas farmácias.

“Não lucrávamos um cêntimo com isto”, adiantou o vice-presidente da ANF, Paulo Duarte, na audição parlamentar de novembro, revelando que o ministério da Saúde deve às farmácias 600 mil euros referentes a 2012, pela sua participação no projeto.

Por seu lado, o presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência, João Goulão, admitiu hoje não saber se o Governo chegou a acordo com a ANF ou se encontrou outro parceiro.

No entanto, o responsável da estratégia nacional de combate à toxicodependência lembrou que a troca de seringas não é feita só nas farmácias.

"Há outros pontos de trocas de seringas, nomeadamente as equipas de rua que têm sido suportadas pelo IDT [Instituto da Droga e Toxicodependência] ", reconhecendo que a base das farmácias é "muito importante pela proximidade e pelo fácil acesso".


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