Luanda e Pequim avançam para parceria estratégica intensificando laços políticos


 

Lusa / AO online   Economia   21 de Nov de 2010, 12:31

Angola e a China decidiram oficializar uma parceria estratégica durante a visita oficial do vice-Presidente chinês, Xi Jinping, a Luanda, que terminou no sábado.

A decisão foi hoje anunciada na declaração conjunta que resultou dos dois dias de trabalho de Xi Jinping em Luanda, na sexta-feira e sábado, fortalecendo os laços políticos e reafirmando a vertente económica.

No documento que só hoje foi divulgado na imprensa estatal angolana, é dito que Angola e China “são parceiros estratégicos” e que o reforço da cooperação plena entre os respetivos países “corresponde aos interesses fundamentais e de longo alcance dos dois povos”.

Luanda e Pequim comprometem-se a analisar posições nas organizações internacionais, como a ONU e a OMC, bem como nas mais restritas como sejam as que ligam a China a África e ou países lusófonos.

Esta parceria estratégica, que é essencialmente uma declaração reforçada dos dois Estados em intensificar um já forte relacionamento bilateral, Luanda e Pequim comprometem-se a “assegurar em conjunto as oportunidades e enfrentar os desafios no novo contexto internacional”.

Para isso, fica ainda claro nesta declaração conjunta que, para além dos contactos “de alto nível” entre governos, fica ainda estabelecido que os dois partidos no poder, o MPLA e o partido comunista chinês, vão “reforçar a troca de opiniões sobre as relações bilaterais e as demais questões importantes de interesse comum”.

Para breve ficou a criação do mecanismo que dará corpo ao funcionamento da comissão bilateral, conforme o Acordo Quadro de Cooperação entre a República de Angola e a República Popular da China, assinado em 2008.

O que os dois países pretendem com este passo na intensificação do relacionamento bilateral parte de uma plataforma onde Angola já é o mais importante parceiro da China em África e o seu maior fornecedor de petróleo.

Isto, ao mesmo tempo que a China é, através das suas importantes linhas de crédito desde o fim da guerra, em 2002, o grande e fundamental financiador do gigantesco programa de reconstrução do país devastado por três décadas de guerra.

E isso mesmo se percebe do ponto desta declaração conjunto que explica que, perante tão intenso relacionamento, os passos a dar agora passam pelas duas partes concordarem em “aperfeiçoar constantemente os mecanismos de cooperação e elevar o nível e qualidade de cooperação económica e comercial com base no princípio da igualdade, vantagens recíprocas e desenvolvimento conjunto”.

Pequim e Luanda comprometem-se ainda a dar um empurrão às empresas e instituições financeiras dos dois países para aumentar o comércio e investimento bilaterais nos domínios da agricultura, indústria, infra-estruturas, urbanismo, prospeção e exploração de recursos energéticos e minerais, conservação hidráulica, telecomunicações, ambiente e cultura.

A educação, saúde, ciência e tecnologia, desportos e comunicação social vão ver os dois países a dar-lhes mais importância e ampliar a escala da formação de recursos dos recursos humanos.

Nesta visita a Angola, onde Xi Jinping não fez qualquer declaração aos jornalistas, o vice-Presidente angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos, foi convidado a visitar a China, não tendo, todavia, sido indicada uma data para a deslocação que foi aceite.


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