Livro sobre cultura centenária do chá dos Açores lançado em São Miguel


 

Lusa/AO Online   Regional   14 de Jun de 2016, 15:10

A Confraria do Chá do Porto Formoso, na ilha de São Miguel, vai lançar, na quarta-feira, um livro sobre esta cultura centenária nos Açores, única na Europa, visando assinalar o seu 10.º aniversário.

 

“Pretendemos publicar uma obra que tenha um duplo objetivo: comemorar os dez anos da Confraria do Chá do Porto Formoso, bem como colmatar a falta de sistematização e salvaguarda de factos relevantes em volta do chá, uma cultura centenária nos Açores”, disse hoje, à agência Lusa, o responsável pela direção da confraria e coordenador do livro, Virgílio Vieira.

A cultura do chá nos Açores remonta ao século XIX, altura em que foi importada a planta, tendo surgido a indústria de transformação a partir de 1878. Mantêm-se hoje duas unidades, designadamente as fábricas da Gorreana e Porto Formoso, ambas no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.

Existiram 40 unidades de produção e transformação do chá na ilha de São Miguel, sendo que apenas uma delas se localizava na ilha do Faial, segundo Virgílio Vieira.

Foram convidadas 23 personalidades para colaborar neste livro com prefácio de Machado Pires, professor aposentado e ex-reitor da Universidade dos Açores, sendo a capa da responsabilidade do pintor Tomaz Borba Vieira, a partir da obra Chá Seara, de Francisco Álvares Cabral.

Virgílio Vieira considera importante promover a salvaguarda desta cultura para memória futura, “respeitando o rigor científico, a história, as tradições e os valores inerentes ao património material, imaterial e cultural, sobretudo da ilha de São Miguel”.

“Reunimos um leque muito variado de especialistas cujos saberes multidisciplinares confluem para 23 capítulos que abordam a temática”, declarou o responsável pela confraria.

De acordo com Virgílio Vieira, o futuro do chá nos Açores tem “boas perspetivas”, por ser um produto que pode inserir-se na economia verde.

“Possui uma valorização superior aos demais, por ser mais rico em antioxidante benéfico para a saúde humana, evitando doenças da sociedade ocidental como enfartes e cancro, tendo ainda um baixo custo”, afirmou o coordenador da obra.

De acordo com a docente universitária chinesa Sun Lam, que está a preparar um livro sobre o chá e também colabora nesta iniciativa, o produto dos Açores, pela sua “pureza” e por ser “deveras saudável”, pode ter um “novo futuro através da inovação da sua forma de apresentação, que permitirá o alargamento a possíveis novos mercados”.

 

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.