Líder dos independentistas dos Açores diz que autonomia está em "desconstrução"


 

Lusa/AO Online   Regional   7 de Jun de 2016, 08:19

O novo líder da Frente de Libertação dos Açores (FLA) declarou hoje que a autonomia regional está a viver um "momento de desconstrução" que tem vindo a gerar um "grande desencanto".

“A nível interno e político estamos a viver o mesmo que aconteceu durante o processo autonómico de 1895. Este começou com grande dinamismo e entusiasmo, mobilizando a sociedade açoriana de então, e acabou como todos nós sabemos, em nada”, afirmou Rui Medeiros.

O dirigente da FLA, que substitui António José de Almeida, líder histórico do movimento falecido em 2014, falava num jantar promovido pelo movimento para assinalar os 41 anos da manifestação de 06 de junho em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

A manifestação de 06 de junho de 1975 juntou cerca de 10 mil pessoas, predominantemente agricultores que se bateram por diversas revindicações perante o Governo central e contra uma eventual tomada do poder no país pelos comunistas, acabando por ficar conotada com a independência dos Açores.

Rui Medeiros sustentou que se “começou com uma autonomia progressiva que deu lugar a uma autonomia tranquila” e, “para espanto dos mais ingénuos, as instituições regionais já afirmam que é indispensável a manutenção do ‘património autonómico adquirido’”.

“Por outras palavras, isso significa dizer que passamos de uma dinâmica construtiva, para uma fase estável e estamos a viver um momento de desconstrução. Como consequência tem vindo a instalar-se um grande desencanto”, disse o líder do movimento independentista.

O dirigente da FLA referiu que o poder nos Açores é exercido por partidos políticos que são “sucursais dos partidos nacionais”, sendo que os intervenientes locais “prestam vassalagem aos nacionais para poderem sobreviver politicamente”.

Rui Medeiros defendeu que os Açores têm de “estar preparados para enfrentar transformações imprevisíveis” que acontecem em todo o mundo, sublinhando que “deixar o destino dos Açores nas mãos de Portugal, compromete seriamente as nossas pretensões”, uma vez que “Lisboa, quando confrontada entre as nossas necessidades e os seus desejos, nunca hesitou e optou sempre por si”.

O novo líder da FLA considerou que “existe medo nos Açores e muitos são os momentos em que ele interfere no livre exercício da cidadania”, daí que preconize a necessidade de “fortalecer a capacidade interventiva dos açorianos nos seus destinos libertando-os de um Estado controlador e castrador”.

Manifestando-se a favor da existência de partidos regionais, Rui Medeiros disse que os independentistas nos Açores “são reprimidos, sendo tratados como marginais que não têm direito a existir”.

“Quando numa sociedade existe um grupo de cidadãos que não se pode associar para defender as suas ideias, quando existe uma lei que retira a possibilidade a este mesmo grupo de participar nos atos eleitorais, então estes cidadãos não são homens livres, são cidadãos de segunda”, concluiu o responsável pela FLA.

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