Lavradores da ilha Terceira consideram descida do preço do leite "incomportável"

Lavradores da ilha Terceira consideram descida do preço do leite "incomportável"

 

Lusa/AO Online   Regional   2 de Mar de 2016, 05:11

A Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT) considerou "incomportável" a descida do preço do litro de leite pago ao produtor pela união de cooperativas, associada a uma limitação de produção.

 

"É uma situação incomportável. Não podemos admitir que isto aconteça. Tem de se arranjar mecanismos de redução do impacto", salientou, em declarações à Lusa, o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, José António Azevedo, acrescentando que nunca viu "tanta indignação" entre os produtores de leite.

A Unicol (União das Cooperativas de Laticínios Terceirense) baixou hoje o preço base do leite pago ao produtor em dois cêntimos, passando de 25 para 23 cêntimos por litro, o que segundo o presidente da AAIT é o preço mais baixo pago nos Açores.

Em janeiro de 2015, o preço já tinha descido três cêntimos e a juntar às descidas de finais de 2014 verificou-se nessa altura uma redução de seis cêntimos e meio, segundo José António Azevedo.

"Sabemos que o mercado do leite está muito complicado em toda a Europa, mas como já tínhamos um dos preços mais baixos, não esperávamos mais uma redução", adiantou José António Azevedo.

Por outro lado, há uma penalização à produção acima de um limite imposto, que prevê um corte de 5% na quantidade de leite entregue, em comparação com 2015.

"Esta redução abrupta causa grandes entraves, porque normalmente quando há descidas do preço do leite os produtores aumentam a produção para fazer face aos seus compromissos", salientou o presidente da associação agrícola.

Segundo José António Azevedo, há lavradores que submeteram projetos ao Prorural + (Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma dos Açores), com base num aumento de produção.

Cada litro de leite produzido acima do limite imposto pela união de cooperativas terá uma penalização de 15 cêntimos, de acordo com o representante da lavoura.

A Associação Agrícola da Ilha Terceira já pediu uma reunião urgente com o secretário regional da Agricultura, para reivindicar que o executivo açoriano acelere o processo de resgate leiteiro e que dê principal ênfase à ilha Terceira.

Segundo José António Azevedo, há vários lavradores com mais idade que estão dispostos a abandonar a produção de leite, recebendo um montante com base nos valores de leite entregues em 2015.

A única fábrica de produtos lácteos de grande dimensão da ilha Terceira é a Pronicol, detida em 51% pela Lactogal.

Para o presidente da AAIT, se a empresa nacional, que no continente português paga em média 29 cêntimos por litro de leite, não está interessada no leite da ilha Terceira deve "vender ou abandonar a indústria".

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