Karzai pede às tropas internacionais para pouparem os civis


 

Lusa / AO online   Internacional   13 de Fev de 2010, 12:41

O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu hoje às tropas internacionais envolvidas numa grande operação contra os talibãs no Sul do país, com 15 mil efetivos, que evitem baixas de civis durante os combates.

Em comunicado do Palácio Presidencial, Karzai solicitou ao comando militar internacional para não fazer bombardeamentos em zonas com população civil.

O presidente considerou que a ofensiva iniciada às primeiras horas da noite passada contra o bastião talibã de Marjah é uma oportunidade para os insurretos "abandonarem a violência e serem reintegrados na vida civil".

Karzai tem insistido nos dois últimos anos na denúncia da morte de civis em ataques aéreos lançados pela aviação dos Estados Unidos.

Em meados de 2009, o presidente afegão protestou junto do comandante das forças da NATO no Afeganistão, o general norte-americano Stanley McChrystal, que se comprometeu a estabelecer novas normas de combate para os soldados.

A Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), missão militar sob comando da Aliança Atlântica, iniciou às primeiras horas de hoje a "Operação Moshtarak", que visa estrangular a resistência dos rebeldes talibãs em Marjah, uma das zonas de maior influência dos insurretos na província de Helmand.

Cerca de 5000 efetivos norte-americanos, um grande contingente britânico, 2000 militares afegãos e alguns soldados da Dinamarca, Estónia e Canadá participam nesta operação militar, a de maior envergadura desde a queda do regime talibã em 2001.

Segundo foi anunciado hoje de fonte oficial, cinco talibãs foram mortos pelas tropas conjuntas logo no início da ofensiva

As tropas governamentais procuram reconquistar Marjah, sob controlo dos talibãs, e assegurar a segurança dos núcleos de população em redor do rio Helmand, que cruza a província de Norte a Sul, alegadamente manietados pelos insurretos.

A ofensiva, que fora anunciada nas últimas semanas, é também a maior desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou um destacamento adicional de 30 mil soldados para o Afeganistão e anunciou a data de julho de 2011 para início da retirada militar.

Na Conferência de Londres de finais de janeiro, a que assistiu Karzai, foram traçadas as bases para a transferência progressiva da responsabilidade do controlo da segurança para as forças da ordem afegãs e início de um diálogo "nacional" com talibãs sem ligação à rede terrorista Al-Qaida.

Três soldados norte-americanos foram mortos hoje num atentado suicida no subúrbio de Kandahar, no Sul do país.

Estes falecimentos fazem elevar para 69 o número de militares estrangeiros que pereceram no Afeganistão desde o início deste ano, na sua maioria vitimados por bombas e atentados suicidas.


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