Juntas de freguesia de Sintra trocam iluminação natalícia por apoio social a carenciados


 

Lusa / AO online   Economia   21 de Nov de 2010, 12:29

O aumento dos pedidos de ajuda levou algumas juntas de freguesia de Sintra a abdicarem da tradicional da iluminação de Natal para, em vez disso, comprarem bens alimentares e ajudar famílias carenciadas.

Colares, Rio de Mouro e São Marcos são algumas das freguesias que este ano não vão ter as suas iluminadas com as habituais luzes de Natal, uma vez que as juntas optaram por investir as verbas na aquisição de bens alimentares para ajudar as famílias mais carenciadas.

Os presidentes das juntas consultados pela agência Lusa justificam esta medida com o aumento de pedidos de ajuda de famílias que, além de bens alimentares, já pedem medicamentos, bens de higiene e por vezes apoios monetários para pagar as faturas da água, do gás ou da renda da casa.

“Em Rio de Mouro não vai haver iluminação porque vamos entregar cabazes a 120 carenciados. Tem havido muitos pedidos de ajuda a nível de medicamentos e de alimentação. Há muita gente a perder subsídios e, perdendo esses rendimentos, aumentam as suas necessidades”, disse à Lusa o presidente da junta, Filipe Santos.

Em São Marcos também é esperado um “apagão” natalício. O presidente da junta, Nuno Anselmo, confirma que não vai gastar dinheiro para enfeitar as ruas, uma vez que vai aplicar as verbas no apoio às famílias.

“Não se compadece estar a gastar dinheiro em iluminações de Natal numa altura destas. Noutros anos pedimos a participação do comércio local, mas este ano já não pedimos. Prefiro usar o dinheiro para a ação social”, explicou.

Na outra ponta do concelho, em Colares, a junta de freguesia prefere “iluminar os lares das pessoas que necessitam”, em vez de aplicar as verbas que tradicionalmente são destinadas à iluminação desta vila rural.

“Vamos aplicar as verbas em cabazes de Natal porque estamos um bocado apreensivos com a questão social. Assim, vamos ajudar as famílias”, disse o autarca Rui Franco dos Santos.

O autarca explicou que, por se tratar de uma zona rural onde “todos se conhecem” e onde a “pobreza é envergonhada”, a junta está a desenvolver contactos junto de comerciantes e “pessoas conhecidas” das várias localidades da freguesia para determinar quais as famílias com necessidades que vão receber os cabazes com bens alimentares.

No Cacém, na Terrugem e em Queluz, em virtude do aperto financeiro também não haverá luzes natalícias e, noutras freguesias, embora mantenham a ornamentação das ruas, o investimento será menor do que noutros anos.

Em Casal de Cambra as medidas de restrição orçamental também imperam o corte na despesa com o Natal.

“Temos que ser realistas com esta conjuntura. Se há fome não se vai gastar verbas quando se podem fazer outras coisas. Temos algum material nosso que vamos colocar nas ruas”, disse Fernanda Santos, presidente da Junta que vai apelar aos comerciantes para enfeitarem as montras dos estabelecimentos comerciais.

A autarquia de Sintra também reduziu o investimento de 125 mil para 60 mil euros. A partir de 26 de novembro, mais de 270 mil luzes que vão estar em diferentes locais da vila património mundial até 7 de janeiro.


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