Juncker voltou a recusar ser "o amigo do grande capital" no debate da moção de censura

Juncker voltou a recusar ser "o amigo do grande capital" no debate da moção de censura

 

Lusa/AO Online   Internacional   24 de Nov de 2014, 19:00

O presidente da Comissão Europeia voltou hoje a dizer que não é "o amigo do grande capital", no debate de uma moção de censura no Parlamento Europeu, após o escândalo dos acordos fiscais secretos entre o Luxemburgo e multinacionais.

"Não sou o amigo do grande capital. Toda a gente riu nos andares superiores das grandes multinacionais europeias quando fui acusado disso", afirmou Jean-Claude Juncker durante o debate da moção, apresentada pelos eurocéticos e pela direita populista, que visa derrubar o atual órgão executivo comunitário.

Ainda assim, disse Juncker aos eurodeputados menos de um mês depois de ter assumido a presidência da Comissão, o seu lugar está à disposição: "Se querem que eu vá embora, digam e eu vou".

A moção de censura, que hoje esteve em debate mas que não deverá ser aprovada, está relacionada com os acordos secretos feitos entre o Luxemburgo e mais de 300 multinacionais para pagarem menos impostos, quando Juncker era primeiro-ministro.

Quando o escândalo rebentou, poucos dias depois de Juncker ter tomado posse como presidente da Comissão Europeia, o Grupo da Esquerda Unitária - que integra PCP e Bloco de Esquerda - lançou-se numa recolha de apoios com vista à moção de censura. Mas foi o grupo Liberdade e Democracia, do eurocético britânico Nigel Farage, que conseguiu as 76 assinaturas necessárias à moção de censura junto de deputados da extrema-direita não inscritos, como Marine Le Pen, presidente do partido francês Frente Nacional.

No debate de hoje, Juncker insistiu que já deu "todas as explicações devidas" em Bruxelas, a 13 de novembro, e acrescentou ainda que em 2005, quando era primeiro-ministro do Luxemburgo e o país tinha a presidência rotativa da UE, propôs a mudança da política fiscal na Europa.

Juncker, que foi primeiro-ministro do Luxemburgo entre 1995 e 2013,tinha dito já que não é o arquiteto do modelo luxemburguês mas admitiu que é "politicamente" responsável pelo que aconteceu "em cada esquina desse país" enquanto era governante.

A moção de censura à 'Comissão Juncker' será votada na quinta-feira, não devendo conseguir a maioria de dois terços dos votos expressos necessários. Não deverá contar com os votos dos socialistas e do Partido Popular Europeu (PPE), que apoiam o executivo comunitários, e os deputados mais à esquerda deverão recusar aliar-se à direita populista.

Em alternativa, as forças à esquerda estão a trabalhar para proporem uma criação uma comissão de inquérito que o que se passou no Luxemburgo e que avalie as disparidades fiscais entre os Estados-membros.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.