Juncker enfrenta hoje moção de censura no Parlamento Europeu rodeado dos 27 comissários

Juncker enfrenta hoje moção de censura no Parlamento Europeu rodeado dos 27 comissários

 

Lusa/AO Online   Internacional   24 de Nov de 2014, 06:43

O debate da moção de censura à Comissão Europeia após o escândalo 'LuxLeaks' marca o arranque da sessão plenária do Parlamento Europeu, em que Juncker apresentará o plano de investimento de 300 mil milhões de euros, 'bandeira' do seu mandato.

 

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, vai apresentar-se no debate de hoje da moção de censura - relacionada com os acordos secretos feitos entre o Luxemburgo e mais de 300 multinacionais para pagarem menos impostos, quando Juncker era primeiro-ministro - com os seus 27 comissários, entre os quais Carlos Moedas.

Depois do debate, que começa às 17:00 (hora de Lisboa), a votação acontece apenas quinta-feira, mas a moção não deverá conseguir a maioria de dois terços dos votos expressos para passar. Os Socialistas e o Partido Popular Europeu apoiam o executivo comunitário e, apesar de contestarem Juncker, os deputados mais à esquerda recusarão aliar-se a uma moção da autoria da direita eurocética.

O grupo Liberdade e Democracia, de Nigel Farage, conseguiu as assinaturas necessárias à moção de censura junto de deputados da extrema-direita não inscritos, como Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional.

Ainda nesta sessão plenária do Parlamento Europeu, que decorre esta semana em Estrasburgo, Juncker vai revelar os detalhes do plano de 300 mil milhões de euros (entre dinheiro público e privado) que pretende ver investidos, nos próximos três anos, na economia europeia, que corre o risco de entrar novamente em recessão.

Os 300 mil milhões correspondem ao efeito total dos investimentos que a Comissão Europeia espera criar, no âmbito do plano que - segundo informações entretanto divulgadas pela Bloomberg - terá como âncora um fundo de investimento de cerca de 21 mil milhões de euros para compartilhar com os privados o risco de investir em novos projetos. Este fundo deverá ter dinheiro do orçamento comunitário como garantia e envolverá ainda o Banco Europeu de Investimento.

Ainda segundo a agência de informação financeira Bloomberg, empréstimos, garantias para empréstimos, participações em capital de empresas e emissão de dívida poderão fazer parte das ferramentas do fundo para alavancar esse investimento, que usará recursos já existentes.

Uma das principais dúvidas deste plano prende-se com que parte será dinheiro ´novo', quando os Estados-membros se defrontam com dificuldades financeiras.

De acordo com informações entretanto divulgadas, alguns países mais prósperos, como a Alemanha, poderão contribuir e, nas reuniões entre os comissários este fim-de-semana, terá sido discutida a possibilidade de não entrar para cálculo do défice e da dívida públicos os montantes dos planos de investimentos nacionais que deverão completar a ação do novo fundo comunitário.

A especulação - ou, pelo menos, a maior parte - deverá terminar quando Jean-claude Juncker e o seu vice-presidente Jyrki Katainen, responsável pelo Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, apresentarem o plano esta quarta-feira perante os 751 eurodeputados.

Ainda esta semana, na terça-feira, o Papa Francisco visita o Parlamento Europeu, onde discursará ao fim da manhã, 26 anos depois de João Paulo II ter feito o mesmo.

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