Jovens árabes desaprovam Estado Islâmico


 

Lusa/AO online   Internacional   12 de Abr de 2016, 12:05

A maioria dos jovens árabes desaprova a conduta do grupo extremista Estado Islâmico (EI) e duvida que os "jihadistas" consigam impor um califado na região, segundo um estudo de uma consultora internacional.

 

O estudo anual da consultora Burson-Marsteller intitulado “Juventude Árabe 2016” revelou um decréscimo do apoio subentendido ao Estado Islâmico. Segundo os novos dados, 13 por cento dos inquiridos assumiram que podiam apoiar o grupo radical sunita se este “não usasse tanta violência”, contra os 19% que responderam da mesma forma em 2015.

O relatório foi desenvolvido a partir de entrevistas presenciais, realizadas entre janeiro e fevereiro deste ano, a 3.500 inquiridos (homens e mulheres) de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Egito, Líbia, Marrocos e Iémen.

De acordo com os mesmos dados, metade dos inquiridos (50%) qualifica o EI como “o principal obstáculo na região”.

Três em cada quatro jovens árabes estão preocupados com o aumento da influência do grupo extremista, mas só um em cada seis jovens acredita que os ‘jihadistas’ vão conseguir impor-se no Médio Oriente.

Cerca de 25% dos entrevistados afirmaram acreditar que o desemprego e a falta de oportunidades são os principais fatores que têm estimulado o recrutamento para as fileiras ‘jihadistas’.

Por outro lado, um quarto dos inquiridos (25%) não consegue apontar qualquer razão para que alguém queira juntar-se ao EI.

O estudo indicou que o país que exerce mais influência sobre os jovens árabes – e pelo quinto ano consecutivo - é a Arábia Saudita (31%), seguido pelos Emirados Árabes Unidos (28%) e pelos Estados Unidos (25%).

Em relação aos Estados Unidos, o inquérito mostrou uma divisão de opiniões: dois terços dos jovens encaram o país como um aliado, enquanto um terço vê os norte-americanos como inimigos, sobretudo no Iraque (93 %), Iémen (82%) e Palestina (81 %).

A potência xiita do Irão é considerada como um inimigo por 52% dos jovens árabes, contra apenas 13% que encaram o regime de Teerão como um aliado.

Ainda sobre o Irão, cerca de 45% apoiam o recente acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, enquanto 39% rejeitam o documento.

Sobre as relações entre os dois principais ramos do Islamismo, sunitas e xiitas, quase metade dos entrevistados afirmou que pioraram nos últimos cinco anos.

Perto de 52% frisaram mesmo que a religião desempenha “um papel demasiado importante no Médio Oriente”.

O estudo da consultora Burson-Marsteller também abordou a guerra na Síria.

O conflito sírio é visto por 39% dos jovens árabes como “uma guerra de poder internacional entre as potências regionais e globais”. Outros inquiridos (29%) encaram a guerra como uma revolução contra o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad ou como uma guerra civil entre sírios (22%).

Cinco anos depois da chamada Primavera Árabe (vaga de contestação popular que atravessou vários países do norte de África e do Médio Oriente), a maioria dos jovens (53%) dá hoje prioridade à estabilidade, em detrimento da democracia.

No ano corrente, só 36% afirmou acreditar que o mundo árabe está numa melhor posição após a vaga revolucionária que abalou a Tunísia, o Egito, a Líbia ou o Iémen. Em 2012, a mesma pergunta registou a resposta positiva de 72% dos inquiridos.


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