Jornadas Parlamentares Atlânticas debatem desafios dos arquipélagos

Jornadas Parlamentares Atlânticas debatem desafios dos arquipélagos

 

Lusa/AO Online   Regional   19 de Jun de 2016, 18:47

A Madeira e os Açores participam entre segunda e quarta-feira, em Espanha, nas Jornadas Parlamentares Atlânticas, que são retomadas uma década após a última edição e reúnem também as Canárias e Cabo Verde para discutir problemas e desafios comuns.

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Tranquada Gomes, considera que o retomar do encontro, nas ilhas Canárias, é uma “mais-valia negocial” no contexto do relacionamento da Europa e dos Estados Unidos da América, já que os quatro arquipélagos (que formam a denominada Macaronésia) “são, no fundo, a Europa do Atlântico”.

Para o responsável, as jornadas, suspensas em 2006, “faziam falta” e “este retomar demonstra uma vontade conjunta de refletir problemas que são comuns”.

“É necessário que estas jornadas reflitam sobre as dificuldades, mas também sejam capazes de apontar as oportunidades que existem e decorrem da posição estratégica destas ilhas no contexto atlântico”, referiu à Lusa.

Tranquada Gomes chefia a delegação parlamentar madeirense, composta ainda por cinco deputados regionais da maioria PSD, dois do CDS-PP, um do JPP, um do PS e um do PCP.

Dos Açores, é a presidente da Assembleia Legislativa, Ana Luís, que lidera a delegação às Jornadas Parlamentares Atlânticas, que inclui mais nove deputados, do PS, PSD, CDS-PP, PCP e PPM. Por motivos de agenda, o Bloco de Esquerda não integra a comitiva.

À agência Lusa, Ana Luís disse que as jornadas pretendem ser “um fórum de debate onde possa haver uma reaproximação e a continuidade de um trabalho que vinha a existir desde 90, que foi o primeiro ano” de realização da iniciativa.

“Todos somos regiões arquipelágicas, a maioria dos elementos desta conferência são regiões autónomas, temos muito em comum, para além também de termos outros aspetos de ligação, nomeadamente ao nível das ligações aéreas e da economia”, declarou.

A este propósito reconheceu que há áreas onde alguns “estão mais avançados”, exemplificando com as energias renováveis na Comunidade Autónoma das Canárias.

Um dos principais desafios destes territórios insulares e ultraperiféricos, apontou, será sempre definir como tornar “plena e efetiva” a coesão territorial e social e que contributos podem ser dados para os “todos nacionais”.

O programa do evento está estruturado em quatro grupos de trabalho: “Economias insulares da Macaronésia no contexto da economia global, com especial incidência no turismo e no setor primário"; "Sustentabilidade energética, meio ambiente e recursos naturais"; "Transportes, comunicações, novas tecnologias” e "Macaronésia como espaço cultural comum”.

“São questões diversificadas, contextualizadas nos nossos arquipélagos, e pretendemos que desta cimeira, que é de reflexão sobre problemas que são comuns aos vários arquipélagos, saiam propostas que reforcem a cooperação nestes domínios”, realçou Tranquada Gomes.

O presidente da assembleia madeirense considerou ser “oportuno discutir estes temas”, vincando que “o peso das decisões que vierem a ser aprovadas será comunicado às instâncias comunitárias”.

Durante a década em que o encontro não se realizou houve, de acordo com Ana Luís, contingências de agenda e constrangimentos financeiros.

Fazer este tipo de reuniões com regiões “tão díspares”, notou, tem as suas dificuldades, até porque Açores, Madeira e Canárias são regiões autónomas, enquanto Cabo Verde é Estado.

“Estas eram comitivas maiores, com maior tempo de trabalho e, naturalmente, para o parlamento organizador tornou-se cada vez mais difícil, porque as despesas são todas suportadas pelo parlamento organizador”, acrescentou.

Em 2018, é a vez de os Açores acolherem as Jornadas Parlamentares Atlânticas.


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