Joana Vasconcelos volta às exposições em galerias após experiência "única" em Versalhes

Joana Vasconcelos volta às exposições em galerias após experiência "única" em Versalhes

 

Lusa/AO online   Nacional   10 de Out de 2012, 09:47

Expor no palácio de Versalhes foi "único", admite Joana Vasconcelos, que considera normal o regresso aos espaços mais pequenos, como a galeria londrina Haunch of Venison, onde abre esta quarta-feira uma nova exposição da artista portuguesa.

"Nós estamos habituados a este tipo de espaços e esta galeria já é suficientemente grande, é muito maior do que a maioria das galerias", vincou, em declarações à agência Lusa.

Durante três meses e meio, entre 18 de junho e 30 de setembro, as obras de Joana Vasconcelos ocuparam o palácio e jardins do século XVII, nos arredores de Paris, atraindo mais de um milhão de visitantes.

Nas próximas cinco semanas, até 17 de novembro, terá por sua conta quatro salas de um edifício do século XVIII onde, no início dos anos 1900, esteve instalado um dos primeiros stands de automóveis.

A escultora garante estar habituada a "situações diferentes" e a criar para espaços pequenos, como stands em feiras de arte ou casas de colecionadores.

"Obviamente Versalhes é um caso único e deve ser visto assim, não é todos os dias que temos um espaço como Versalhes para expor", insiste a artista.

Seja qual for a dimensão, explicou, o que tenta fazer é adaptar-se aos espaços diferentes e relacionar-se com eles.

É o caso da exposição na Haunch of Venison, onde cinco das seis peças estão ligadas pelos "tentáculos" em têxteis da "Valquíria Crown", trabalho que fez em homenagem à rainha Isabel II.

"Visto que estamos a viver o ano do jubileu da rainha, eu queria, assim como quero sempre, criar uma relação com o local onde estou a expor, não só cultural como em termos de espaço e arquitetura", explicou.

Suspensa no teto da sala no piso superior, da peça saem tentáculos que descem e interagem com quatro trabalhos cobertos de azulejos de uma nova série intitulada "Tetris", resultando num novo conceito de "arquitetura de interiores".

"É como se as paredes de repente se juntassem e criassem volumes e os têxteis que existem na casa também criassem essa relação com as paredes e com aquilo que é normalmente parte integrante da nossa cultura e da forma como nós vivemos o espaço interior, nós os portugueses", resumiu.

A única peça que surge isolada é uma escultura mecânica feita de ferros de engomar, chamada "A Todo o Vapor #1" e que demorou vários anos a concretizar.

Para ajudar a artista, uma marca de eletrodomésticos teve de ir procurar ferros do mesmo modelo em diferentes países, que depois foram adaptados no ateliê de Joana Vasconcelos em Lisboa.

Um sistema central gerido por um programa informático feito de raiz controla os utensílios, parte dos quais abrem como pétalas para depois libertarem vapor quando chegam à posição vertical.

Esta é a segunda vez que é convidada a expor pela Haunch of Venison, galeria que em 2010 mostrou uma retrospetiva da obra da artista portuguesa.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.