Islamitas 'shebab' reivindicam atentado contra miniautocarro da ONU na Somália

Islamitas 'shebab' reivindicam atentado contra miniautocarro da ONU na Somália

 

Lusa/AO online   Internacional   20 de Abr de 2015, 11:28

Os islamitas 'shebab', aliados da Al-Qaida, reivindicaram o atentado contra um miniautocarro da ONU na localidade de Garowe (norte), capital da região autónoma somaliana de Puntland, no qual morreram pelo menos seis funcionários da organização.

"Visámos a ONU em Garowe, matámos e ferimos pessoas", disse à agência noticiosa francesa AFP um porta-voz dos 'shebab', literalmente "jovens", Abdulaziz Abu Musab.

O porta-voz acusou os funcionários das Nações Unidas no país de "integrarem as forças de colonização da Somália".

O chefe da missão da ONU na Somália, Nick Kay, condenou o ataque na rede social "Twitter", afirmando "estar chocado pelas mortes".

Nem ele, nem um outro responsável da ONU contactado em Mogadíscio confirmaram o balanço avançado por Abdulahi Mohamed, responsável da polícia de Puntland, de seis mortos, incluindo quatro estrangeiros.

O chefe da polícia local, Ahmed Abdulahi Samatar, informou que "sete pessoas ficaram feridas, incluindo dois estrangeiros".

"Confirmámos a morte de seis funcionários da ONU, incluindo um estrangeiro (...) o inquérito prossegue para determinar as circunstâncias" do ataque, acrescentou.

"Pensamos que a bomba estava presa ao miniautocarro e foi ativada perto das instalações da ONU", declarou Abdulahi Mohamed.

"A base da ONU não foi atingida e não se tratou de um atentado com veículo armadilhado", acrescentou.

Fontes dos serviços de segurança somalianos indicaram que o miniautocarro pode ter passado sobre uma bomba artesanal, colocada na berma da estrada.

A Somália é palco de uma guerra civil, e não tem de um efetivo poder central desde a queda do presidente Siad Barre, em 1991.

Tal como os anteriores, o atual Governo, reconhecido pela comunidade internacional, não consegue estender a sua autoridade além da capital e respetiva periferia.

Os 'shebab', saídos de um ramo dos 'tribunais islâmicos' que controlaram durante seis meses, em 2006, o centro e sul do país, incluindo a capital, lideram a rebelião armada e querem derrubar as autoridades de Mogadíscio.

Os rebeldes, aliados da Al-Qaida mas derrotados no terreno militar pela Força da União Africana (AMISOM), que apoia o embrionário exército somaliano, multiplicam os ataques e as ações de guerrilha na Somália e no vizinho Quénia contra responsáveis governamentais, funcionários, tropas da AMISOM e trabalhadores de organizações não-governamentais e da ONU.

O grupo reivindicou o atentado contra a universidade de Garissa, no início de abril, que causou 148 mortos, e o ataque contra o centro comercial Westgate em Nairobi, que se saldou em pelo menos 67 mortos, em setembro de 2013.


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