Ilhas cobertas por rede satélite


 

Paulo Faustino   Regional   15 de Dez de 2007, 10:37

Os Açores vão ficar cobertos por uma rede de estações permanentes que vão fornecer informação geográfica para diversas aplicações, entre as quais no sector da protecção civil.
A rede de estações permanentes do Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS), de que já existe um exemplar em Ponta Delgada e outro na freguesia das Furnas, em São Miguel, foi ontem apresentada pelo secretário regional da Habitação e Equipamentos, José Contente. O virtuosismo do novo sistema, que se propõe abranger todas as ilhas, tem uma dimensão internacional ao assegurar a convergência dos Açores com os patamares tecnológicos desenvolvidos para o futuro sistema europeu Galileo - no qual Portugal em geral e Santa Maria em particular estão envolvidos por via da Agência Espacial Europeia (ESA). Trata-se de um investimento do Governo Regional estimado em 270 mil euros e que será útil para trabalhos de execução e actualização de produtos cartográficos, com uma série de vantagens que vão desde a geodesia, geodinâmica, agricultura de precisão, meteorologia, aeronáutica, navegação e telecomunicações da rede móvel e até actividades de recreação. José Contente elencou as mais-valias: na maior rentabilização dos equipamentos de GPS existentes e uma maior produtividade; maior eficácia e precisão na recolha de informação georeferenciada; apoio a entidades públicas que utilizam GPS, proporcionando maior precisão no posicionamento em tempo real das forças da protecção civil numa eventual tragédia; e ainda a prestação de um serviço de qualidade para apoio à comunidade envolvida em actividades de georeferenciação, pública ou privada. Acresce a criação, no início de 2008, de um novo site Rede de Estações Permanentes da Região Autónoma dos Açores para disponibilização na net dos dados das estações permanentes.

Associação ao programa Galileo
O programa Galileo, por trás do GNSS, tem por objectivo dotar a União Europeia de um sistema de radionavegação por satélite para fins civis, totalmente independente da tecnologia americana, que tem sido utilizada para fins civis. Avaliado em 3,4 mil milhões de euros, o projecto é o resultado da parceria entre a Comissão Europeia e a ESA e deverá estar operacional em 2012. Nessa altura pretende ter em órbita 30 satélites colocados em três órbitas circulares. Os defensores do Galileo argumentam que as infra-estruturas europeias de transportes (caminhos-de-ferro, estradas e vias de navegação marítima) podem ser geridas mais eficazmente através da tecnologia de satélite. Além disso, essa tecnologia pode ser utilizada nas telecomunicações e na protecção civil, o que levará a diversas aplicações comerciais. ||

Projecto Galileo
e o GPS americano

O desenvolvimento do projecto espacial Galileo - um dos mais ambiciosos da União Europeia - levantou questões quanto à forma como irá funcionar em paralelo com o sistema americano GPS. Serão concorrentes ou parceiros? O que tem vindo a ser dito ao longo dos tempos é que é preferível a segunda à primeira opção, do ponto de vista político e tecnológico. Isto para que as pessoas possam utilizar os sinais GPS ou Galileo com um único receptor.
Galileu Galilei (1564 -1642), astrónomo e físico italiano, ficou célebre por ter utilizado as suas aptidões verbais e matemáticas para demonstrar a teoria de Copérnico de que, na realidade, a Terra gira à volta do Sol. Tal facto valeu-lhe ser processado pela Igreja Católica, tendo sido condenado a prisão domiciliária.

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