IAC pede ao Ministério Público que analise caso de jovem agredido por adolescentes


 

Lusa/AO online   Nacional   13 de Mai de 2015, 17:00

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) solicitou ao Ministério Público que analise o caso divulgado num vídeo na internet que mostra duas adolescentes a agredir um rapaz perante a passividade de outros jovens.

 

O vídeo de 13 minutos, divulgado na terça-feira no Facebook, tornou-se viral na internet, com mais de meio milhão de visualizações e cerca de 20 mil partilhas em poucas horas, suscitando centenas de insultos e comentários de repúdio e apelos à intervenção das autoridades judiciais, PSP e Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do IAC, Manuel Coutinho, revelou que o Instituto de Apoio à Criança apresentou "a situação para análise" ao Ministério Público.

A vice-presidente do IAC, Dulce Rocha, acrescentou à Lusa que as circunstâncias divulgadas no vídeo "revelam especial censurabilidade" que, na sua opinião, apontam para um crime público que já não depende de queixa.

"Como é um crime com um conjunto de pares, com agressões reiteradas por várias pessoas", o jovem estava indefeso e o vídeo foi para as redes sociais "poderemos entender que se trata de um crime de ofensas corporais qualificadas".

"Mesmo que o jovem já tenha 16 anos eu penso que há um circunstancialismo que aponta" para este crime, sustentou.

Para Manuel Coutinho, estas situações de "ofensas à integridade física e psicológica dos pares, nomeadamente de jovens em idade escolar, mostram muitas vezes a forma disruptiva como as pessoas hoje em dia convivem".

"Estes casos surgem nas escolas porque é onde as crianças e os jovens estão, mas normalmente estes casos vêm das comunidades e das famílias", adiantou.

Manuel Coutinho ressalvou que "a maior parte dos jovens é saudável e respeitador dos outros, mas infelizmente ainda há muitos jovens que gostam da cultura da violência".

É necessário todos perceberem que "ridicularizar, agredir, fazer troça não pode ser algo de positivo, tem que ser algo que tem de ser combatido", defendeu, acrescentando que os autores dos maus-tratos, sejam físicos, psicológicos ou emocionais, "têm que ser chamados à responsabilidade".

Para o psicólogo, este é "um problema" que deve preocupar a sociedade e as famílias. "Todos somos responsáveis pelos nossos atos e temos de perceber que filhos e que jovens cada um de nós está a educar".

Na sua opinião, o "desrespeito pela dignidade humana e pela pessoa humana" é também fruto da violência que se vive de uma forma geral na sociedade.

Para o psicólogo, "a sociedade não está a conseguir conter em tempo útil toda esta violência" que se vem manifestando entre os pares e que "põe também a tónica, muitas vezes, nos jogos que as crianças e jovens têm online em que a violência é gratuita" e a vida humana nada vale, vencendo quem "é mais agressivo ou mais violento".

"Como os filtros não existem, por vezes, a realidade ultrapassa a ficção e os jovens transpõem para a vida do dia-a-dia aquilo que veem no mundo imaginário", advertiu o também psicólogo e coordenador do SOS-Criança do IAC

"Parece que hoje tudo é permitido, mas temos que perceber que tudo é permitido exceto o que é proibido", frisou.


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