Homenagem a sufragistas marca centenário do voto feminino no Reino Unido

Homenagem a sufragistas marca centenário do voto feminino no Reino Unido

 

Lusa / AO online   Internacional   4 de Fev de 2018, 11:07

Uma estátua da sufragista Alice Hawkins vai ser inaugurada hoje em Leicester, para celebrar os 100 anos desde a aprovação do voto feminino no Reino Unido, numa altura em que a discriminação de género volta a estar em debate.


Operária numa fábrica de sapatos, Alice Hawkins, que abandonou os estudos aos 13 anos, tornou-se numa ativista sindical nos anos 1880 pela reivindicação de melhores condições de remuneração das mulheres, que era inferior aos dos homens.

No início do século XX, juntou-se ao movimento das sufragistas para exigir o direito de voto para as mulheres, acabando por ser detida cinco vezes durante a sua atividade de campanha. Morreu em 1946, aos 83 anos.

A estátua de 2,1 metros num pedestal de 1,2 metros vai dominar a nova praça da cidade e representa um reconhecimento de Hawkins dois dias antes do centenário da lei "Representation of the People Act", a lei que deu às mulheres o direito de voto no Reino Unido.

Na ocasião, apenas 58% dos homens podiam votar, pois o direito estava limitado aos homens residentes no país nos 12 meses anteriores, eliminando ainda assim muitos militares que lutaram no estrangeiro.

Após um longo debate sobre a reforma eleitoral, a Lei para a Representação da População foi aprovada em 06 de fevereiro de 1918, permitindo o voto de mulheres com mais de 30 anos, cerca de 8,5 milhões, o que representava 40% do total de habitantes femininas.

A mesma lei aboliu outras restrições impostas aos homens, nomeadamente relativa a património, e estendeu o direito aos maiores de 21 anos e aos militares com mais de 19 anos, aumentando o eleitorado masculino de oito milhões para 21 milhões.

Dez anos mais tarde, em 1928, foi aprovada a lei Equal Franchise Act, que deu às mulheres os mesmos termos que os dos homens, estabelecendo o sufrágio universal e aumentando o número de mulheres com direito a votar para 15 milhões.

Este ano celebram-se também 60 anos desde a lei que abriu a Câmara dos Lordes, a câmara alta do parlamento britânico, a membros femininos, e o centenário da lei que autorizou mulheres a candidatarem-se a deputadas.

Em Westminster, no edifício do parlamento, será feita uma exposição, de 27 de junho a 06 de outubro, sobre o impacto das mulheres na vida parlamentar ao longo de dois séculos.

O progresso tem sido paulatino: em 1982 contavam-se apenas 19 deputadas mulheres, mas desde as eleições legislativas de 2017 já são 208, ocupando quase um terço dos 650 assentos na Câmara dos Comuns.

Nas últimas semanas, a questão da discriminação de género voltou à agenda nacional devido à controvérsia na estação pública BBC, onde uma jornalista, Carrie Gracie, denunciou existirem diferenças de salário entre mulheres e homens com as mesmas funções.

A administração recuou e pediu a alguns dos jornalistas masculinos mais bem remunerados, como John Humphrys e Nick Robinson, para aceitarem uma redução, mas insistiu que não existe uma discriminação contra as mulheres e que vai reduzir a diferença nos próximos dois anos.

Entretanto, o Centenário da lei do sufrágio feminino vai ser marcado durante este ano com espetáculos e diferentes atividades em cidades onde o sufragismo foi relevante há 100 anos atrás, como Leeds, Bristol e Oxford.

Em Londres, o museu National Portrait Gallery vai ter em exposição até 13 de maio pela primeira vez em 20 anos o retrato de Thomas Carlyle por John Everett Millais.

Este quadro ganhou um lugar na história porque em julho de 1914 a ativista Anne Hunt atacou com um cutelo a obra, entretanto restaurada.

No Museu de Londres, vai estar exposta a medalha atribuída a Emmeline Pankhurst, uma das líderes do movimento sufragista, pela greve de fome que realizou durante a luta, bem como outros objetos da época.

A Royal Mint, a entidade britânica responsável pela cunhagem e impressão de dinheiro, vai celebrar o centenário com uma edição da moeda de 50 pence.

E para 10 de junho, o programa 14-18 Now, que foi criado marcar o aniversário da I Guerra Mundial (1914-18) exortou a mulheres e jovens raparigas a criarem as suas próprias faixas e cartazes para desfilar em marchas nas quatro capitais do Reino Unido (Londres, Edimburgo, Belfast e Cardiff).

Foi Emmeline Pankhurst, casada com o advogado e político Richard Pankhurst, que iniciou o movimento das sufragistas em 1903 com uma reunião na sua própria casa, em Manchester, da União Social e Política das Mulheres.

Durante cerca de uma década, mobilizou uma causa que dividiu a sociedade britânica, na altura envolvida num grande conflito armado, e que ganhou visibilidade graças a algumas ações com impacto, como manifestações, greves de fome, fogo posto ou janelas partidas.

Um dos protestos mais conhecidos foi quando Emily Davidson invadiu a pista de corrida de cavalos durante o Epson Derby, em 1913, e foi pisoteada pelo cavalo do rei Jorge V, acabando por morrer.

Apesar de estarem previstos eventos em vários museus da segunda maior cidade britânica, incluindo no museu-casa de Pankhurst, será preciso esperar até dezembro para que uma estátua em sua memória seja inaugurada no centro de Manchester.



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