Grupo de biólogos quer mostrar a "riqueza enorme" de cetáceos no mar português

Grupo de biólogos quer mostrar a "riqueza enorme" de cetáceos no mar português

 

Lusa/AO online   Regional   15 de Abr de 2018, 09:21

Portugal tem “uma riqueza enorme” em cetáceos, mas a ideia generalizada é que apenas há baleias nos Açores, algo que um grupo de especialistas quer esclarecer com um estudo nunca feito junto à costa continental.

“Queremos esclarecer que há uma riqueza enorme em termos de cetáceos. Todos sabem que os Açores são uma zona importante, mas quase ninguém sabe que o continente também é muito importante em termos de baleias e golfinhos”, disse à Lusa o biólogo marinho Pedro Finamore, principal investigador do projeto.

A ideia, explicou, é criar um atlas dos cetáceos em Portugal, que mostre quais as espécies presentes nas águas portuguesas junto ao continente, como se comportam e quais as regiões onde há mais populações. “São dados que não existem e que têm um enorme valor científico, económico e ambiental”, disse.

O investigador disse à Lusa que pretende desenvolver o projeto nos próximos dois anos ao longo de toda a costa de Portugal continental até 25 milhas (cerca 40 quilómetros) ao largo, contando, além de uma equipa de biólogos, com a colaboração do Instituto Politécnico de Leiria e da Câmara Municipal de Esposende (com uma das maiores áreas marinhas protegidas) e o apoio de dois investigadores convidados, do Centro de Estatística e Aplicações da Universidade de Lisboa.

A iniciativa candidatou-se a um apoio do Fundo Azul, que financia a economia do mar através do programa Portugal 2020, e é também apoiada pela empresa de energia Galp.

Os investigadores, disse Pedro Finamore, vão percorrer sistematicamente, num veleiro, toda a costa portuguesa, dividida em quatro blocos e que será sujeita a um “varrimento continuo”.

“É algo que nunca foi feito. Há poucos estudos, locais ou regionais e normalmente feitos durante o verão”, disse Finamore, explicando que as 25 milhas são suficientemente extensas para apanhar “o talude da plataforma continental”, a partir do qual começa o oceano profundo, onde “há uma grande concentração de biodiversidade”.



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